Estudantes reclamam de insegurança no entorno da UEL
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sexta-feira, 13 de novembro de 2015
Auber Silva - Redação Bonde 
Estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) procuraram o Portal Bonde nesta sexta-feira (13) para reclamar da sensação de insegurança no entorno do campus. Segundo eles, a quantidade de assaltos tem aumentado nos últimos meses, principalmente no trajeto entre os prédios e casas de região, boa parte ocupada por alunos da universidade, e nos pontos de ônibus.

Caio Vinícius Bordo, de 19 anos, estuda Medicina Veterinária e foi vítima da violência. "Eu moro bem perto da UEL, cerca de 800 metros, mas a insegurança tem me obrigado a pagar uma passagem de ônibus para percorrer estes poucos metros. Uma vez, no começo do ano, eu estava aguardando no ponto quando um cara chegou de moto e colocou uma arma na minha cabeça. Pediu meu dinheiro e o celular. Talvez porque um casal que fazia caminhada estivesse passando, ele desistiu e foi embora. De toda forma, é uma situação muito traumatizante, eu até que consegui superar rapidamente, mas tem gente que não consegue. No dia seguinte, precisa pegar o ônibus de novo e ir estudar. Não tem como não ir para a universidade", afirma.
Segundo ele, conversas com amigos e postagens nas redes sociais, sobretudo no Facebook, têm reforçado a sensação de que o número de crimes está crescendo. "Neste ano, pelo menos quatro pessoas do meu círculo foram roubadas, perto ou dentro da UEL. Está difícil ir comer um lanche, voltar para casa de noite depois do estágio, ir ao mercado. Tem gente que está com medo de sair de casa", lamenta.
Na noite da última quinta-feira (12), estudantes que moram nos prédios ao lado da Cidade Universitária, no entorno do campus, trocaram mensagens no Facebook sobre a presença de uma dupla suspeita em uma motocicleta sem placas. "O pessoal fica com medo e começa a repassar informações, tenta se comunicar para alertar os demais e avisar. Mas a situação está bastante crítica", diz Bordo.
Ainda na noite de ontem, uma internauta publicou um texto no grupo de Facebook "Moradores da Cidade Universitária (CU), Beco e Afins" reclamando da sensação de insegurança. Nos mais de 60 comentários, outros estudantes e moradores citaram diversos casos ocorridos ultimamente, alguns detalhando os assaltos. Diversos mencionam o fato de os criminosos estarem armados.
Estreitar o contato
Há cerca de um mês, a Polícia Militar iniciou um projeto nos bairros do entorno da UEL para coibir ações criminosas. A iniciativa é comandada pelo capitão Marcos Todoro. "Ainda estamos iniciando o trabalho, mas já sentimos que houve uma diminuição na quantidade de ocorrências formalizadas junto à PM. É um trabalho de prevenção, de presença de equipes e contato natural, espontâneo, com a população", explica.
Recentemente foi realizada uma reunião com cerca de 150 moradores, o que possibilitou à PM descobrir quais são as principais queixas e problemas. "Identificamos que a maior parte das ocorrências diz respeito a crimes contra o patrimônio, principalmente furtos em residências", aponta. A PM não informou o número de boletins de ocorrência registrados no entorno da UEL nos últimos meses. "Sabemos que os estudantes têm sofrido com estes assaltos e abordagens. Queremos estreitar o contato com os alunos, até mesmo com as lideranças estudantis, para manter um canal aberto de troca de informações para que a PM entenda a demanda e organize melhores estratégias para atendê-los", afirma.
Para prevenção de crimes, moradores dos bairros próximos à UEL criaram dois grupos no Whatsapp que contam com a presença do capitão Todoro. "É uma forma de dar transparência. Nosso principal contato segue sendo através do 190, mas é válido para trocarmos informações e termos conhecimento do que acontece no local. Não tem como deixar equipes 24h por dia por lá, mas é possível intensificar o patrulhamento conforme a demanda. Queremos diminuir os índices de criminalidade e aumentar a sensação de segurança das pessoas."
Dentro do campus
O prefeito do campus da UEL, Dari de Oliveira Filho, afirma ter recebido queixas da comunidade universitária sobre o aumento de crimes no exterior da instituição. "Entramos em contato com a Polícia Militar e, internamente, temos reforçado a ronda. Nos dois últimos meses, sentimos que a quantidade de ocorrências dentro do campus deu uma arrefecida. Temos mantido equipes de segurança perto dos pontos de ônibus e estamos utilizando as câmeras do sistema de monitoramento para coibir ações criminosas", revela.
"É um fato que a área urbana no entorno da UEL tem se adensado nos últimos anos e não tem como a universidade não ser afetada por isso. Em relação a dez anos atrás, nosso quadro de servidores da segurança diminuiu em razão de aposentadorias e saídas de funcionários. Além disso, o número de prédios construídos e áreas utilizadas tem aumentando. A nossa estratégia está sendo mudar a metodologia, deixando de trabalhando com postos fixos para reforçar a ronda e a vigilância eletrônica", afirma.


