Paulo WolfgangEles voltaramEstudantes se maquiam para participar de protesto contra mudanças na educação: apenas 10% do esperadoOs caras-pintadas voltaram às ruas. Desta vez, para marcar o Dia Nacional de Luta Pela Educação. Promovida pela União Londrinense dos Estudantes Secundaristas (ULES), a manifestação começou às 10 horas no Calçadão com menos de 10% dos 2 mil estudantes que o presidente da entidade, Alessandro Safraide, esperava reunir. Distribuíram panfletos, gritaram palavras de ordem e seguiram até a avenida JK para pressionar a direção do Colégio Estadual Vicente Rijo a liberar os alunos.
Usando dois carros de som, os estudantes conseguiram interromper o trânsito num dos pontos de maior movimento: o cruzamento da JK com Higienópolis. Posicionados em frente a entrada do colégio, na JK - que teve meia-pista fechada até o meio-dia -, eles pediam a liberação dos estudantes. A diretora Vera Akaishi explicou que não podia antecipar a saída dos alunos já que a maioria era menor de idade e não tinha autorização dos pais para participar do protesto. ‘‘Pedi aos organizadores que providenciassem a autorização mas isso não foi feito.’’
Na rua, os cara-pintadas faziam a festa. Alguns já exibiam mechas verde-amarelas. Outros, além da cabeça, tinham também mãos e costas cobertas de tinta. Entre os participantes, alguns nem sabiam o motivo do protesto. ‘‘Espera aí que eu vou pedir para minha amiga responder; eu não sei direito’’, disse a aluna do 3º ano de Contabilidade do Colégio Marcelino Champagnat que, constrangida, pediu para não ser identificada. Em alguns momentos, os gritos e palavras de ordem eram substituídos por músicas. As estudantes entraram no ritmo e o protesto acabou ao som do grupo de pagode Gerasamba.
A manifestação, segundo informou o presidente da Ules, Alessandro Safraide, faz parte da campanha ‘‘O ano da educação não resolveu o problema da minha escola’’. Desenvolvida por entidades estudantis, a campanha tem o objetivo de pressionar os governos Federal e Estadual para que solucionem os principais problemas que afetam escolas, professores e alunos.
A campanha defende autonomia universitária e gestão democrática, mais verbas para a educação e a escola pública gratuita e de qualidade. Também se manifesta contrária ao decreto de reformulação do ensino técnico, ao Projeto de Reforma do Ensino Médio (Proem), nova lei das mensalidades e a privatização da Companhia Vale do Rio Doce.
No próximo dia 17, os estudantes participam de uma caravana até Brasília numa manifestação que vai reunir integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem- Terra (MST) e sindicalistas. Eles vão pedir recursos para a educação e reforma agrária.
(Luka Morais)

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