Estudantes realizam ato antiviolência
Cerca de 200 estudantes do Programa de Karatê Piá no Esporte participaram ontem, em Curitiba, de uma manifestação pedindo fim da violência urbana. Moradores de 13 cidades da Região Metropolitana de Curitiba, os jovens pediram maior participação da sociedade para conter e diminuir a violência nas regiões mais pobres daqueles municípios.
A passeata foi motivada pelos fatos dos últimos meses, em que a violência tem sido destaque na mídia, afirma o presidente da Federação Paranaense de Karatê Tradicional, Guilherme Carollo. Segundo Carollo, organizador do movimento, a manifestação é para sensibilizar as pessoas a lutar por sua segurança. A segurança nas escolas, nas ruas e nas cidades é de responsabilidade também de cada cidadão, que deve participar e exigir a punição de quem se vale da violência, como forma de garantir o seu ponto de vista, ele avalia.
Para o menino Roberto Carlos Skori, 14 anos, é importante que todos se mobilizem contra a violência. Morador na periferia de Fazenda Rio Grande, ele conta que não é raro presenciar mortes e assaltos onde vive. Até mesmo nas escolas acontecem brigas bobas, que acabam machucando sem razão outras pessoas.
Dados da Polícia Militar apontam que, nos dois primeiros meses do ano letivo, 12 colégios curitibanos solicitaram a presença de policiais dentro das instituições para promover operações de busca de armas e drogas entre os alunos. Outro dado preocupante revela que a violência não se restringe à periferia, migrando para as escolas do centro da cidade, inclusive as particulares.
Das 393 ocorrências atendidas pela Patrulha Escolar do 13º Batalhão da PM, de setembro de 1998 até o mês passado, 44 aconteceram em escolas particulares. Só na rede estadual foram computados 266 chamados e outros 83 nas escolas municipais no mesmo período. A PM atribui os problemas nos pátios escolares e salas de aula à desagregação familiar. O jovem precisa de um estímulo, que deve vir das escolas ou de pessoas que orientem seus futuros, afirma o treinador Guilherme Carollo.
São pessoas como o menor F.G., 15 anos, que participou da manifestação. Envolvido em uma gangue que agia em Pinhais, o menino foi recuperado através do karatê. A gente precisa de limites, mas quem define eles é a família e as pessoas mais velhas, diz. Treinando há um ano, ele conta que voltou a estudar, deixando de se envolver com pessoas perigosas.
De acordo com Carollo, o programa atende mais de mil crianças e adolescentes no Estado, abrangendo 160 municípios. Ele informa que outras 50 cidades devem participar do programa ainda este ano.





