Estudantes querem voltar às aulas
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terça-feira, 06 de novembro de 2001
Gilmar Agassi<br>De Cascavel 
Depois de 50 dias de greve das universidades públicas estaduais, um grupo de acadêmicos da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) se articula para buscar na Justiça um meio de retomar as atividades suspensas desde o dia 17 de setembro. Mas os professores e servidores em greve garantem que mesmo com uma liminar determinando o retorno, eles não voltam antes de negociar diretamente com o governo do Estado.
A decisão de ingressar na Justiça partiu de representantes do Centro de Ciências Sociais Aplicadas, que estiveram reunidos durante o final de semana. Com a liminar, eles esperam anular a decisão do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), que no dia 28 de setembro suspendeu o calendário acadêmico da universidade. Caso os cursos retomem as aulas, terá que ser estabelecido um novo calendário.
A mesma medida já havia sido tomada por alunos do curso de Medicina que entraram na Justiça para continuarem seus estágios no Hospital Universitário. Eles conquistaram o direito de continuar os estudos práticos baseados na alegação de que seriam prejudicados e de que a população carente necessita de atendimento gratuito.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Estabelecimentos do Ensino Superior (Sinteoeste), Luiz Fernando Reis, afirma que todos professores e servidores esperam que os alunos os apóiem, pois além de reivindicar reajuste salarial, eles estão buscando melhorias para a própria universidade. ''Todos estão sendo prejudicados. Não são apenas os alunos, nós também estamos perdendo muito. Não estamos fazendo greve porque gostamos'', esclarece.
Apesar de reconhecer os prejuízos do movimento, Luiz Fernando garante que as atividades serão retomadas somente após uma negociação direta com o governo. Ele lembra que no ano passado foram feitas algumas promessas para encerrar a greve, mas muito pouco acabou sendo cumprido. ''Protocolamos hoje (ontem) um ofício reafirmando nosso desejo de negociar. Vamos para Curitiba e só voltamos após sentarmos e discutirmos a pauta de reivindicações'', ressalta.
O presidente do Sinteoeste avalia como positivo o movimento grevista, principalmente pelo apoio recebido da população, que segundo ele, tem se sensibilizado com a situação dos servidores públicos e da universidade.


