A comunidade acadêmica da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) está exigindo a revisão ou complementação do acordo entre a instituição e o governo do Estado, para autonomia de gestão financeira. O acordo, firmado por todas as universidades públicas estaduais, prevê a livre aplicação do orçamento, sem que precisem pedir autorização ao governo. No caso da Unioeste, o orçamento para o ano, de R$ 23 milhões, será suficiente apenas para o custeio e salários de professores e servidores.
O montante definido não permite investimentos, embora seja necessária a complementação da estrutura física e de equipamentos de cursos nos cinco campus, e novos cursos estejam sendo implantados. Por isso, estudantes, professores e servidores querem um levantamento ‘‘independente’’ das necessidades financeiras da Unioeste, e que o Conselho Universitário (COU), órgão máximo da instituição, reveja os termos do acordo. Eles querem que as medidas sejam tomadas sem a participação do reitor Erneldo Schallemberger.
O COU e o reitor são responsabilizados, respectivamente, pela autorização e pela assinatura do acordo, no dia 18. O Conselho deu autorização minutos antes do ato, no Palácio Iguaçu, depois de agitada sessão, que foi acompanhada por grande número de acadêmicos que exigiam garantias, como a de recursos para investimentos, e que o Estado assumisse formalmente dívidas de anos anteriores. Segundo a vice-reitoria Liana Fuga Vasconcelos, as dívidas chegam a R$ 2,9 milhões. O Estado comprometeu-se com isso apenas informalmente.
Schallemberger afirma que apenas cumpriu o que o COU determinou. Ele tem evitado entrar na polêmica, e sua posição consta de uma nota com esclarecimentos sobre a autonomia, na qual reconhece que os R$ 23 milhões não são suficientes para as necessidades, que houve ‘‘tempo muito curto’’ para as discussões sobre o acordo, e ainda que investimentos terão que ‘‘demandar negociações posteriores’’. Apesar disto, o montante é superior ao do ano passado - R$ 19 milhões -, e há agora ‘‘autonomia para sua aplicação, o que representa avanços’’.
Segundo o presidente do Diretório Central de Estudantes (DCE), Alexandre Webber (do curso de Medicina), a comunidade acadêmica ‘‘não se conforma’’ com o que seria uma ‘‘discriminação’’ contra a Unioeste, em relação a outras universidades estaduais, no tocante ao volume de recursos. Webber observa que, embora a Unioeste ainda precise ser ‘‘consolidada’’, receberá muito menos que as demais instituições - a Universidade Estadual de Londrina, por exemplo, que tem número semelhante de cursos (41), receberá R$ 105 milhões (anual).
Projeto de expansão respaldado pelo Estado antes do acordo previa a implantação de dezessete novos cursos, por isso há necessidade de investimentos na estrutura física, em equipamentos e recursos humanos, e complementação de obras (até mesmo de paisagismo) nos campus. Além disto, para muitos cursos existentes faltam equipamentos, laboratórios e biblioteca. ‘‘Tudo isso não consta do acordo. Ou ele é revisto, ou então as pendências devem ser tratadas imediatamente, e de forma oficial, não em promessas’’, salienta Alexandre Webber.

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