Da Redação
Os estudantes universitários Antônio Carlos Basílio da Silva, do curso de letras da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-Pr), Gustavo Henrique Moraes, de engenharia eletrônica do Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná (Cefet-Pr) e Carlos Renato Lima Mainieri, do curso de artes visuais da Universidade Tuiuti encaminharam proposta de mudanças nas regras de concessão e pagamento do crédito educativo. O benefício, que está suspenso desde 1997,que financia parte das mensalidades de cursos superiores de instituições particulares aos alunos carentes. A proposta visa auxiliar os que já receberam o crédito, mas encontram-se inadimplentes, e os possíveis novos beneficiários, caso o crédito educativo seja reativado.
Segundo o Diretório Central de Estudantes (DCE) da PUC, 2.300 dos 18 mil alunos da universidade estavam com mensalidades atrasadas no início deste ano. Depois de intensas negociações com a reitoria foram solucionadas as pendências de 1955 estudantes, com parcelamento em até três vezes para os que não tinham cheques devolvidos.
As principais sugestões dos universitários curitibanos para o novo crédito educativo são: o pagamento de 30% das mensalidades dos cursos por parte dos alunos e 70% pelo governo; retirada e proibição imediata da inclusão do nome de estudantes inadimplentes no Serviçco de Proteção ao Crédito (Seproc); eliminação definitiva da taxa referencial (TR) como forma de correção das parcelas do financiamento, permanecendo apenas os juros, de 6% ao ano; devolução de apenas 50% do valor financiado (atualmente o aluno devolve integralmente os valores); parcelas fixas não superiores a 10% do total do financiamento, ou 20% do piso salarial do futuro profissional; aumento de um para dois anos no prazo de carência para início do pagamento das parcelas.
A proposta foi encaminhada ao governo federal, ao Ministério da Educação. ‘‘Resolvemos criar essa proposta porque a situação do estudante universitário sem recursos financeiros é preocupante. A inadimplência aumentou muito, por causa da crise e do desemprego. Esperamos aprovar pelo menos metade das proposições’’, revela Antônio Basílio da Silva. Nem ele, nem os outros dois estudantes utilizam o crédito educativo.
Segundo Ana Maria Baggio, gerente do crédito educativo da Caixa Econômica Federal em Curitiba, o Paraná possui hoje 3.900 beneficiários que estão amortizando os créditos já recebidos. Desses, cerca de 32% estão em situação de inadimplência, totalizando R$ 9 milhões.
O governo lançou a medida provisória 1.827/99, prevendo a extinção do crédito educativo e a criação do Fundo de Financiamento aos Estudantes de Ensino Superior (Fies). O Fies possui pontos em comum com a proposta dos estudantes, como eliminação da TR e pagamento de 30% das mensalidades pelos estudantes.

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