Estudantes querem passe livre em ônibus
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quinta-feira, 05 de novembro de 1998
Andrea Vndramini 
A União Paranaense dos Estudantes (UPE) está programando várias manifestações públicas, até o final do ano, como parte de uma campanha em defesa do passe escolar para todos os estudantes de Curitiba. Eles querem desconto de 50% na tarifa de ônibus. Segundo o diretor de Comunicação da UPE, Fernando Delicato, existe a possibilidade de promover ocupações de terminais de ônibus e estaçõestubo, para evitar o aumento da tarifa.
Segundo fontes extra-oficiais da Prefeitura, a tarifa deve ser reajustada para R$ 1,00 até o final do ano para compensar prejuízos causados pela ação de estudantes que se recusam a pagar a passagem pulando as catracas ou entrando pela porta traseira dos ônibus, diz Delicato. A informação é negada pelo gerente de Operações da Urbanização de Curitiba (Urbs) - empresa que administra o transporte coletivo na Capital -, Euclides Rovani. Ele afirma que não está previsto qualquer reajuste da tarifa.
Segundo Rovani, não seria justo reduzir a tarifa em 50% para todos os estudantes, já que muitos têm condições de pagar. Se isso acontecesse, a tarifa teria que ser reajustada para os demais usuários do transporte coletivo para assegurar a receita, diz.
Rovani disse que atualmente cerca de 12,5 mil estudantes de Curitiba usam o passe escolar, que assegura 50% de desconto na tarifa. Para obter o benefício, concedido aos alunos que moram a pelo menos dez quadras da escola, é preciso comprovar renda familiar de até três salários mínimos. Esse requisito garante que o desconto seja concedido a quem realmente necessita. Os estudantes recebem 400 passes por ano, suficientes para os 200 dias letivos.
Hoje, de acordo com Rovani, cerca de 450 passagens deixam de ser pagas por dia por estudantes que andam em grupos e insistem em pular a catraca das estaçõestubo ou entrar pela porta traseira dos ônibus. Os que forem pegos, serão levados para a delegacia. O problema está concentrado em escolas da região Norte da cidade, como nas paradas de ônibus próximas aos colégios estaduais Professor Loureiro Fernandes, Leôncio Correia, Maria Montessori e Professor Brandão.
O diretor da UPE afirma que os estudantes que deixam de pagar a passagem fazem isso porque não têm dinheiro para ir à escola diariamente. O desconto de 50% acabaria com este tipo de coisa, diz. A entidade também reclama que a passagem teria subido cerca de 300% desde julho de 1994, quando começou a vigorar o Plano Real e a tarifa custava R$ 0,25.
Segundo Rovani, a tarifa custava, na verdade, R$ 0,40 em julho de 1994, valor fixado hoje em R$ 0,75, o que significa um reajuste de 87,5%. Segundo o Dieese, a inflação acumulada no período é de 69,93%, cálculo baseado no INPC.


