Estudantes querem antecipar formatura
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de janeiro de 2003
Giovana Kindlein<br> Reportagem Local 
Se por um lado, os professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) conseguiram 12,8% de reajuste salarial ao protagonizar a mais longa greve da história das universidades brasileiras, no final de 2001 e início de 2002, por outro, ainda hoje a paralisação provoca polêmica. Que o diga a acadêmica formanda Mariane Pistelli de Moraes, do curso de Fisioterapia da UEL. Ela foi aprovada em um concorrido curso, com status de especialização, no Instituto do Coração (Incor), ligado ao Hospital das Clínicas e Universidade de São Paulo (USP), e não poderá cursá-lo se não entregar os documentos de conclusão da faculdade até dia 30 de março.
Para seu desespero, a formatura está prevista somente para 10 de abril. ''Eu me sinto muito prejudicada pela greve'' , diz a formanda, que na época, há 10 meses, já tinha a prova de especialização em seus planos e estudava para essa finalidade. Ela reivindica um calendário especial para que possa cumprir a carga horária estabelecida pelo Ministério da Educação e obter a antecipação da colação de grau. ''Preciso deste certificado'', pede Mariane, que obteve a 24 colocação entre as 32 vagas e os 428 candidatos de todo o Brasil, inscritos no curso avançado em Fisioterapia Cardiorespiratória do Incor, um dos mais importantes hospitais do país.
Na semana passada, o Departamento de Fisioterapia indeferiu seu pedido. Sem desanimar, Mariane contratou o advogado Marcelo Leal para tentar salvar sua especialização no Incor. Leal protocolou um pedido de reconsideração para que o departamento ofereça os estágios faltantes em regime integral. ''Eles não têm prazo para responder o pedido. É um drama'', analisa o advogado, que anexou junto ao processo o pedido de regime especial para outros seis colegas de turma que também prestaram prova de especialização.
Em contrapartida, a assessora da Diretoria de Apoio à Ação Pedagógica, Maria Inês Nobre Ota, afirmou que ''o calendário está defasado desde o ano passado'', complementando que ''a Cooordenadoria de Assuntos de Ensino de Graduação (CAE) não tem o pedido de Mariane formalizado''. Mariane reagiu: ''tentei protocolar, mas não deixaram, dizendo que deveria procurar, primeiro, o meu departamento''. Por sua vez, a chefe do departamento, Celita Salmaso Trelha, disse que tentou uma solução e chegou a negociar a entrega da documentação de Mariane com a coordenação do Incor, mas não teve êxito. ''É uma questão extremamente delicada'', sintetizou. Celita convocou para hoje, às 10h30, uma reunião com os 29 professores do departamento, onde deverão decidir o destino de Mariane.


