Curitiba Cerca de 500 estudantes de várias escolas estaduais e municipais do distrito de Borda do Campo, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, protestaram ontem por melhorias na segurança e na resolução de crimes contra a vida. No último fim de semana, duas jovens foram atingidas por disparos com arma de fogo na região. Uma delas, a estudante Cíntia Luciano de Godói, de 17 anos, morreu. De acordo com a presidente da Associação dos Moradores de Borda do Campo, Rosali Santos, foram nove homicídios registrados no distrito em menos de 15 dias.
''A situação é de emergência. Os moradores estão com medo. As mães fecham suas casas às 18 horas e não deixam seus filhos sair nas ruas. Não têm condições das escolas funcionarem à noite por causa da insegurança. Sou mãe e tenho filhos e já estou pensando em vender tudo e ir procurar outro lugar para morar'', desabafou ela. Os estudantes levaram faixas e cartazes pedindo paz no distrito. ''Sabemos que é difícil uma solução porque aqui impera a lei do silêncio'', disse Rosali.
A presidente da Associação pontuou que a criminalidade na região está relacionada à pobreza, ao desemprego e ao tráfico de drogas. Adolescentes com idades entre 13 e 19 anos seriam os mais atingidos. ''Os meninos aqui promovem todo tipo de violência. Furtos, assaltos. Precisamos tirar esses adolescentes das ruas'', acrescentou. A presidente da União das Associações de Moradores de São José dos Pinhais (Unam), Maria da Graça, disse que a criminalidade é generalizada. ''Temos muitos adolescentes que se envolvem em drogas e estão sendo constantemente ameaçados. Eles promovem assaltos e matam para pagar dívidas com traficantes'', relatou.
A Delegacia de Borda do Campo é pequena e tem apenas dois investigadores de plantão para fazer o trabalho dos distritos de Borda do Campo e Planta São Marcos. Nos finais de semana, a delegacia fica com as portas fechadas. Não tem delegado de plantão. ''O povo não entende que nem sempre podemos prender os autores do crime em flagrante. Estamos investigando e solucionando crimes. Muitos não foram presos porque o flagrante passou e dependemos da ordem judicial. Aqui tem muito crime e temos que atender tudo, desde homicídios até furtos e assaltos'', esclareceu o investigador Eliseu Rodrigues Loureiro.
Ele disse que apenas dois crimes cometidos nas últimas semanas ainda não foram esclarecidos. ''A nossa parte estamos fazendo. Mas não podem exigir que a gente venha todos os dias e fique 24 horas trabalhando. Precisaríamos ter mais gente. Afinal, todos têm direito a uma folga. A gente está direto aqui e nem tem dado atenção devida para nossa família '', lembrou. A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Segurança Pública foi procurada ontem para falar sobre o planejamento estratégico para melhoria do efetivo na região de Borda do Campo. Mas até o fechamento desta edição não obteve retorno.

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