Estudantes protestam em Foz
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sexta-feira, 17 de agosto de 2001
Alexandre Palmar<BR>De Foz do Iguaçu 
Estudantes e professores da rede estadual de ensino fecharam ontem a avenida de acesso ao Núcleo Regional de Educação, em Foz do Iguaçu, em protesto pelo encaminhamento da eleição dos novos diretores das escolas no Paraná. Cerca de 200 pessoas participaram e reclamaram que o governo do Estado quer ''escolher os diretores a dedo ao dar mais peso para os votos dos núcleos''.
Os votos de cada segmento terão pesos diferentes: 50% às famílias, 30% aos profissionais dos colégios e 20% aos representantes do Palácio Iguaçu. Alunos e professores discordam da divisão. ''Para se ter uma idéia, numa escola com dois mil pais e alunos votando, o voto de duas ou três pessoas do Núcleo vai corresponder a 400 votos'', argumenta o presidente da APP-Sindicato em Foz, Luis Carlos de Freitas. Para ele, o Núcleo não deveria ter voto.
O protesto começou às 9 horas com a entrega de panfletos aos pedestres e motoristas nos semáforos, relatando a posição contrária ao modelo de eleição adotado pelo governo. Para as presidentes de grêmios estudantis, Lorena Raquel Rosales, 15 anos, e Ana Isabel Galeanag, 16, as mudanças na política educacional teriam o objetivo de ''controlar os professores nas eleições para o governo em 2002''.
Além de distribuir o manifesto, os estudantes fizeram uma encenação com dois bonecos, criticando a relação do governador Jaime Lerner (PFL) e da secretária de Educação do Estado, Alcyone Saliba, com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O argumento foi de que o governo teria intenções de privatizar o ensino público.
A secretária Alcyone Saliba alegou que não existe desproporcionalidade na divisão dos votos. Sobre o ato público, ela afirmou reconhecer o direito de protesto dos cidadãos, porém garantiu que o manifestação não vai interferir no encaminhamento da eleição. Saliba disse que a Secretaria de Educação vai respeitar as decisões do Palácio Iguaçu. Segundo ela, as 46 escolas de Foz e região têm 452 professores inscritos para concorrerem ao cargo de diretor, numa média de quase dez candidatos por estabelecimento. Para Alcyone Saliba, ''se as regras do pleito fossem injustas, o interesse dos educadores seria menor''.


