Estudantes protestam e tiram a roupa
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quinta-feira, 25 de janeiro de 2001
Emerson Cervi De Curitiba 
Na manhã de ontem dois estudantes de Curitiba tiraram a roupa na Boca Maldita, centro da cidade, em protesto ao reajuste de 10% no valor da tarifa de transporte coletivo urbano. Michele Santos e Edmir Maciel usaram apenas tapa-sexo imitando um vale-transporte enquanto distribuíam panfletos. O aumento de R$ 1,00 para R$ 1,10 aconteceu no dia 20 de janeiro.
A manifestação foi organizada pela União Paranaense de Estudantes (UPE). Queremos conscientizar a população sobre a necessidade de não aceitar o aumento e exigir o retorno a R$ 1,00, diz o presidente da UPE, Gustavo Henrique Moraes.
Os estudantes apresentaram uma denúncia à Promotoria de Defesa do Consumidor do Ministério Público sobre possíveis irregularidades no cálculo do valor da tarifa. A UPE lembra que o reajuste de 10% fica acima de todos os índices de inflação do ano passado, que giraram em torno de 7%.
A promotoria recebeu a denúncia e requisitou da Companhia de Urbanização (Urbs) informações sobre os motivos do reajuste. A Urbs tem 10 dias úteis para prestar esclarecimentos. Só depois disso é que os promotores vão decidir se existem ou não argumentos para a abertura de qualquer procedimento contra os responsáveis pelo aumento.
A falta de transparência no processo de definição das tarifas é o principal problema, na opinião do vereador Tadeu Veneri (PT). No ano passado ele havia apresentado um projeto de lei para que todas as propostas de aumento das tarifas passassem pela Câmara de Vereadores. O projeto foi derrubado pela base governista.
A prestação de serviço de transporte coletivo e fiscalização da base da cálculo das tarifas é feita exclusivamente pela Urbs. Existe o Conselho Municipal de Transporte, que deveria ser consultado antes dos reajustes, mas há cinco anos não é convocado pelo prefeito. Com isso, os valores ficam sob total responsabilidade da Urbs.
De acordo com um levantamento da Associação Nacional de Empresas de Transporte público (Antp), apresentado ao Fórum Nacional de Secretários de Transporte Urbano e Trânsito, a frota de ônibus urbanos em Curitiba tem a quarta maior idade média entre as regiões pesquisadas, com 5,1 anos de uso dos ônibus. Ela só é menor que a região metropolitana de Brasília, que tem 5,3 anos; que São Luis (Maranhão), com 5,7 anos e que Boa Vista (Roraima), com 6,5 anos.
Outro indicador sobre os custos do serviço prestado é o número de ônibus em circulação. Quanto maior o número de veículos, maior tende a ser o custo do serviço. De acordo com a Antp, em Curitiba existem 2.477 ônibus para uma tarifa de R$ 1,10. Em Salvador (Bahia) há 2.474 carros para uma tarifa de R$ 0,80. Em Recife (Pernambuco) há 2.590 ônibus para uma tarifa de R$ 0,80. Mesmo antes do reajuste do dia 20, a tarifa em Curitiba era 20% maior que em Salvador e em Recife.


