A eleição para a escolha do novo reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) aconteceu, ontem, debaixo de protestos de um grupo de cerca de 100 estudantes, que percorreram os locais de votação realizando manifestações contrárias à eleição em período de greve dos professores. O protesto, no entanto, aconteceu de forma pacífica. A apuração dos votos estava prevista para começar às 22 horas, no teatro da Reitoria e a expectativa era de que o nome do futuro reitor já fosse conhecido por volta das 3 horas de hoje.

Os alunos a maioria ligada ao Diretório Central dos Estudantes (DCE) e Comando de Greve chegaram a retardar por duas horas o início da votação, prevista para as 7 horas, no prédio D. Pedro II, na Reitoria, colocando um cadeado na porta de acesso. ''Eleição sem estudante é coisa de farsante'' era o grito de guerra dos alunos. Os acadêmicos afirmam que tentaram adiar o pleito, mas não conseguiram convencer a comissão eleitoral, que decidiu realizar a eleição mesmo com risco de baixo quórum nas urnas. Para eles, a eleição só deveria ser realizada duas a três semanas após o encerramento da greve, dando tempo para que toda a comunidade pudesse conhecer as propostas das chapas concorrentes.

Já os candidatos acreditam que, apesar da greve, a comunidade está bem informada sobre as propostas de cada lado. ''Eu preferia que a eleição acontecesse em época de aulas normais, mas a escolha do dia aconteceu de forma democrática e é importante que agora todos participem e votem'', disse o advogado Luiz Edson Fachin, candidato da chapa ''Ser UFPR- democracia pra valer''. O candidato a vive-reitor da chapa ''Universidade plural, dinâmica e participativa'', o economista Aldair Tarcisio Rizzi, também acredita que os debates e campanha eleitoral tenham esclarecido a todos. ''Mas o protesto dos estudantes é legítimo, e eles souberam fazer de forma pacífica, sem prejudicar a eleição'', afirmou.

Puderam participar do pleito 1,7 mil professores da ativa e 1,1 mil aposentados, 20 mil alunos e 7 mil técnico-administrativos. A posse do novo reitor está marcada para 28 de abril. A eleição, na verdade, trata-se de um acordo entre as partes, já que pelas regras do Ministério da Educação (MEC) os reitores de universidades federais não são eleitos diretamente, mas sim indicados pelo Conselho Universitário, que deve enviar uma lista tríplice para que o MEC referende um nome.

A próxima reunião do Conselho Universitário da UFPR será no dia 11, quando deve ser elaborada a lista, encabeçada pelo candidato mais votado, e seguida por outros dois nomes, indicados pelo próprio vencedor. Pelo acordo local, o candidato que perder a eleição simplesmente retira seu nome. O conselho tem até 27 de fevereiro para enviar a lista ao MEC.

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