Curitiba - Uma manifestação organizada pelo Movimento Estudantil marcou ontem o primeiro dia de aula da rede estadual de ensino depois do aumento da tarifa do transporte coletivo, de R$ 1,90 para R$ 2,20, em janeiro. Os estudantes fizeram um protesto contra o reajuste e revindicaram passe livre.
A manifestação teve duração de aproximadamente 40 minutos, no final da manhã, no Colégio Estadual Paulo Leminski, bairro Tarumã. Com apitos e faixas de protesto, integrantes do movimento e aproximadamente 300 alunos -de acordo com a organização do protesto- se reuniram em frente à escola e seguiram em direção à Avenida Victor Ferreira do Amaral, em frente ao Detran do Paraná.
"Queremos sensibilizar a escola e a sociedade que o formato do transporte que funcionou na década de 90 não dá conta da demanda. Queremos a universalização do auxílio-passe e o passe livre para os estudantes", afirmou o presidente da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes), Rafael Clabonde. Os estudantes não concordam com os argumentos da Urbs para o reajuste da tarifa.
Por cerca de 10 minutos, os manifestantes bloquearam a passagem dos carros que seguiam pela Victor Ferreira do Amaral em direção ao Centro. Um breve congestionamento se formou e irritou os motoristas, como o representante comercial Arnaldo Pinto, que levava um colega de trabalho ao aeroporto. "Só não concordo em me deixar parado aqui", reclamou. Alguns estudantes chegaram a entrar nas estações-tubo sem pagar a passagem. De acordo com os representantes do Movimento Estudantil, a prática não é estimulada pelos manifestantes, mas uma iniciativa dos jovens e que acontece com frequência no local. A informação é confirmada pelo cobrador do tubo, Eric Cordeiro. Ele conta que antes mesmo do aumento da passagem, estudantes costumavam "furar". "Comecei porque a passagem está alta e tem que furar a catraca e baixar a passagem", afirma uma estudante que entrou sem pagar pela primeira vez.
Entre os estudantes que estavam na fila para entrar no tubo e pagaram a passagem, a manifestação é válida, mas não há necessidade de entrar no tubo sem pagar a tarifa. "Concordo com o passe livre, tem que ter, pois a gente paga a faculdade e aumenta 0,60 centavos por dia", afirma a universitária Rosane Casagrande. "Mas não concordo que tem que furar. Nós temos que pagar e eles furam", complementa Tatiane Souza.
Esta foi a primeira manifestação após o reinício das aulas. Estão previstos outros protestos junto aos estudantes e a comunidade. "O presidente da Urbs não nos recebeu e vamos continuar até sermos atendidos. Queremos sentar e negociar", disse Adriano Matos, também da Upes. Participaram da manifestação representantes da UPE, UNE, UBES, UPES, UMESC e do Grêmio Estudantil do Colégio Estadual Paulo Leminski.

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