Estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) protestaram ontem contra a notificação dos trabalhadores informais que vendem lanches no campus. Nesta semana, a justiça determinou que a UEL tome providências para coibir a ação dos vendedores ambulantes no local.
O processo foi iniciado pela empresa JPM & Lopes, detentora da permissão para explorar três cantinas na UEL. Na quarta-feira, os ambulantes foram notificados pela reitoria, que estabeleceu um prazo de 48 horas para que eles deixassem o campus. Indignados com a decisão judicial, um grupo de estudantes reuniu-se em frente à cantina do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa), explorada pela JPM & Lopes, e impediu o acesso de clientes.
Com apitos, latas e cartazes, eles chamaram a atenção de outros alunos que acabaram aderindo à movimentação. A polícia foi chamada ao local para liberar o acesso, mas não houve tumulto. Gustavo de Oliveira, estudante de História, disse que, sem a presença de ambulantes, o proprietário das cantinas vai monopolizar o comércio e praticar preços abusivos. ''Muitos estudantes não têm condições de pagar o preço cobrado por ele'', disse. O estudante de Ciências Biológicas Giovanni Tomei acrescentou que, com três lanchonetes, a JPM & Lopes não conseguiria atender toda a demanda da UEL.
O advogado da JPM & Lopes, Francisco Eduardo de Oliveira, disse que a empresa entrou com o processo por sofrer concorrência desleal. ''A empresa paga contra-prestações mensais, impostos e taxas. Não é justo que concorra com vendedores informais que trabalham sem qualquer custo'', afirmou.
Ésio de Pádua Fonseca, pró-reitor de Administração e Finanças da universidade, informou que a instituição acatou a decisão judicial. ''Vamos verificar os que continuam trabalhando e informar à Justiça'', disse. Ele afirmou também que a UEL tem intenção de regulamentar o comércio dos ambulantes e até mesmo abrir nova licitação para permissão de exploração de pontos comerciais menores.
Necessidade
Há 31 anos vendendo pipoca no Calçadão da UEL, Antônio Mosqueto, 74, acompanhou com serenidade o protesto. Ele recebeu a notificação, mas não tinha intenção de fazê-lo. ''Sou aposentado e ganho um salário mínimo, preciso trabalhar para complementar minha renda. Só saio se o dono da cantina provar que está passando necessidade. Nesse caso, até dou o meu carrinho de pipoca para ele'', ironizou.
No Centro de Ciências Humanas (CCH), funcionários da prefeitura do campus avisaram o vendedor Eduardo Gomes para que fechasse as portas de seu negócio. ''Eu ia fechar e procurar os meus direitos, mas os estudantes se reuniram aqui e pediram para eu não descer a porta.''
Ele passou a vender lanches no local depois que o sogro - responsável pelo ponto por 36 anos - sofreu um derrame há três anos. ''Quando ele começou, ninguém se interessava em vender nada por aqui'', criticou. Gomes também esclareceu que possui alvará da prefeitura, licença da vigilância sanitária e registro de micro-empresa.''Mas quando houve licitação, não distribuíram qualquer circular no campus'', reclamou ele.

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