Estudantes protestam contra cortes
Pela segunda vez em menos de um mês, estudantes da Universidade Estadual de Maringá (UEM) realizaram passeata pelo centro da cidade em protesto contra os cortes promovidos na instituição pelos governos estadual e federal. A passeata teve a participação de aproximadamente 2,5 mil estudantes da universidade e do colégio estadual Gastão Vidigal.
Depois de percorrerem as principais ruas e avenidas de Maringá, os manifestantes se concentraram em frente à prefeitura, forçando o prefeito, Jairo Gianoto (PSDB), a sair do gabinete e declarar apoio ao movimento estudantil.
Os estudantes criticaram duramente o corte de 100% dos recursos estaduais para a manutenção da UEM e o corte, por parte do governo federal, de recursos para pesquisa e extensão. De acordo com os estudantes, todas as medidas que afetam o ensino superior têm como objetivo a privatização das universidades. Primeiro o governo quer deixar as universidades sem condições de ensino para depois entrar com projeto de privatização, denunciou um dos coordenadores da passeata, Norton Domingos de Moraes.
Em panfleto distribuído para motoristas e pedestres, os estudantes afirmam que a UEM está em perigo e que os constantes cortes de verbas estão desestruturando as atividades de ensino, pesquisa e extensão. Também denunciam que, se nada for feito, a UEM corre o risco de não iniciar as aulas no ano que vem.
De acordo com o vice-reitor da UEM, José de Jesus Previdelli, a universidade está numa situação dramática. Ele criticou o decreto 4.959, que cria o Conselho de Reestruturação e Ajuste Fiscal do Estado e o decreto 4.960, que define algumas medidas de contenção de gastos. Para Previdelli, o decreto 4.959 tira totalmente a autonomia das universidades.
Os estudantes saíram da UEM por volta das 9h30 e passaram no colégio Gastão Vidigal, onde praticamente todos os alunos aderiram à passeata. Na frente da prefeitura, os manifestantes começaram a gritar pedindo para o prefeito descer do gabinete e aderir ao protesto. Gianoto, que apoiou o governador Jaime Lerner na campanha para reeleição, atendeu ao apelo e disse que ficará do lado do movimento estudantil na luta pela garantia do ensino público gratuito e com qualidade.
Temos que resolver os problemas financeiros sem que o ensino superior seja prejudicado, afirmou. Os estudantes, insatisfeitos com o discurso do prefeito, insistiram em perguntar se ele era a favor ou contra a privatização. Diante da insistência, Gianoto declarou que é contra a privatização das universidades. Os estudantes disseram então que no próximo protesto vão convidar o prefeito a participar, efetivamente, da luta contra a privatização.Marcos NegriniNa frente da prefeitura, os manifestantes convocaram o prefeito Jairo Gianoto para aderir à passeataLucinéia Parra





