Estudantes protestam contra a interrupção do crédito educativo
Ontem, o dia foi de protesto para os estudantes de faculdades e universidades privadas de todo o País. As manifestações foram organizadas para reivindicar a liberação de recursos, por parte do governo federal, para o crédito educativo. No Paraná, os protestos aconteceram na Faculdade Espírita e na Universidade Tuiuti, as duas em Curitiba.
Na Faculdade Espírita, dezenas de estudantes se reuniram em frente à instituição, pela manhã e à noite. Já os alunos da Tuiuti iniciaram um abaixo-assinado que será entregue ao Ministério da Educação e Desporto (MEC). A idéia é coletar assinaturas dos 13 mil alunos e entregar o documento em mãos ao ministro Paulo Renato de Souza, diz Jeferson Luiz de Miranda, vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Tuiuti. A realização das manifestações foi decidida no último dia 15, em São Paulo, durante reunião entre representantes das instituições particulares e da União Nacional dos Estudantes (UNE). O encontro teve o objetivo de discutir estratégias para pressionar o governo a voltar a liberar os recursos para o crédito educativo.
O presidente da União Paranaense dos Estudantes (UPE), Joel Benin, diz que sem o crédito, muitos estudantes que necessitam do benefício estão enfrentando um grave problema: a inadimplência. Sem crédito muitos estudantes não conseguem pagar as mensalidades, comenta.
Para contornar o problema da falta de pagamento, as faculdades estão buscando formas de negociar e incentivar os alunos a colocar as dívidas em dia. A Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) - onde a falta de pagamento atinge 7% dos 17 mil alunos - se encarregou de ligar para cada aluno inadimplente para sugerir negociações. Na Faculdade Espírita, o incentivo vem através de uma carro Ford Ka zero quilômetro, que será sorteado no dia 23 de dezembro, entre os estudantes que pagam as mensalidades em dia. Em uma barraca cheia de faixas, o automóvel fica estacionado no pátio da instituição.
A UPE calcula que cerca de 60 mil estudantes de terceiro grau estejam matriculados em instituições privadas do Estado. Apesar da quantidade, o Paraná fica com apenas 3,4% do montante de recursos destinados para o crédito educativo de todo o Brasil. Segundo o presidente da entidade, para atender a necessidade do Estado seria necessário o recebimento de 10% do volume.
Atualmente, a liberação de recursos para o crédito educativo está suspensa. De acordo com a Delegacia do MEC no Paraná, por causa da falta de dinheiro, desde julho do ano passado nenhum contrato novo de crédito foi liberado.Leandro TaquesA Faculdade Espírita está sorteando um carro para quem paga em diaAdriana Ribeiro





