Mais de 500 estudantes de escolas públicas de Londrina, a maioria do Ensino Médio, participaram da manifestação organizada pela União Londrinense dos Estudantes Secundaristas (Ules) no Calçadão (Área Central), ontem pela manhã. Diversos temas foram abordados, desde a luta pelo passe livre estudantil e a reforma universitária até o anti-imperialismo norte-americano.
O ato é feito todos os anos em memória do estudante Edson Luiz de Lima Souto, assassinado por um policial durante a ditadura militar em 28 de março de 1968. Segundo o tesoureiro-geral da Ules, Rafael Libos, 20 anos, a principal bandeira levantada pela entidade neste ano é o incentivo ao patriotismo. ''Esse sentimento existe entre os brasileiros, mas está sendo engolido pela cultura norte-americana. Você olha em volta e só vê referências estrangeiras'', argumentou o estudante.
Os manifestantes iniciaram o ato junto ao Coreto, onde encenaram o ''enterro do imperialismo'', carregando um caixão coberto com a bandeira dos Estados Unidos. Algumas escolas só liberaram a participação dos alunos com autorização dos pais. Estudantes de Ensino Médio, Renata, 17 anos, e Jéssica, 16 anos, contaram que pularam o muro do colégio em que estudam, na Área Central, para se juntar ao movimento. ''Fizemos questão de vir porque o motivo do ato é bem interessante. Até nas salas-de-aula os professores se submetem à cultura americana, só falam em Coca-Cola e McDonald's. As pessoas acham que tudo que vem de fora é melhor, mas não é'', disseram.
A manifestação também serviu para pressionar o Município a implantar o passe livre para estudantes e acelerar a reforma da sede da Ules, cedida pela prefeitura. Segundo Rafael, da Ules, o atual prédio, localizado na Avenida Duque de Caxias (Centro), tem 55 anos e está sem condições de uso. ''A reforma já foi aprovada pela Câmara de Vereadores. Precisamos de um local para fazer reuniões e outros eventos'', justificou. Quanto ao passe livre, os estudantes entendem não estar havendo esforços suficientes do prefeito Nedson Micheleti (PT) para cumprir o decreto que instituiu o benefício no ano passado.
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Gabriel Ribeiro de Campos, explicou que a procuradoria jurídica do Município está aguardando a decisão do Tribunal de Justiça (TJ) sobre o passe livre em Londrina. Em agosto de 2004, a empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) conseguiu uma liminar suspendendo os efeitos do decreto, sob a alegação de que a passagem gratuita para estudantes teria impacto negativo nas tarifas. O Município recorreu no TJ, mas o mérito da ação ainda não foi julgado.
''A luta dos estudantes é legítima e eles podem ter certeza de que a intenção do prefeito continua valendo. Mas é preciso ressaltar que defendemos o passe livre apenas para estudantes carentes, como consta do decreto. Aguardamos a decisão do TJ e estamos dispostos a discutir soluções com as entidades estudantis'', afirmou.

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