‘‘Aqui, um motoqueiro atropelou nosso pai brutalmente e fugiu. Testemunhas, ajudem-nos a localizá-lo. Entrem em contato pelos fones 327-1388 e 324-6601.’’ Estes são os dizeres da faixa que os estudantes Gustavo e Rodolfo Muniz Siqueira colocaram, no último sábado, entre duas árvores a poucos metros do local onde o pai deles, Gerson Siqueira, 58 anos, foi atropelado por uma motocicleta no dia 9 deste mês.
O atropelamento aconteceu já quase na calçada da Avenida Dez de Dezembro - também conhecida como Via Expressa -, em frente o número 6.505, no Jardim Piza (zona sul de Londrina). Gerson Siqueira, dono de uma oficina mecânica a alguns metros dali, tentava atravessar a pé a avenida de intenso tráfego para levar uma peça de automóvel a uma retífica.
Testemunhas contaram aos filhos que o motoqueiro - que fugiu sem prestar socorro à vítima - desenvolvia alta velocidade. ‘‘A moto bateu lateralmente em meu pai, que foi jogado sobre as pedras em um trecho onde não há calçada. Infelizmente, o motoqueiro não caiu na batida. Ele só olhou para trás, mas não parou. Como tudo foi muito rápido, as testemunhas não conseguiram ver a placa da moto’’, disse Rodolfo, 23 anos, estudante de administração de empresas.
Segundo ele, o pai teve a bacia deslocada, a perna direita fraturada em oito pontos e ainda encontra-se internado no Hospital Evangélico. Nos próximos dias passará pela quarta cirurgia. ‘‘Nosso pai ficou com escoreações nas costas, barriga e tórax porque foi jogado sobre pedriscos. A ambulância do Siate chegou rápido e o atendimento do hospital tem sido muito bom’’, comentou Gustavo, 19 anos, estudante de cursinho pré-vestibular.
Os dois irmãos ressaltam que o pai não corre risco de vida e que as testemunhas só conseguiram ver a cor da motocicleta: vermelha. ‘‘Queremos encontrar o atropelador por uma questão de justiça. Ele cometeu um crime, não socorreu a vítima e fugiu de maneira covarde. Não queremos vingança, mas ele tem que pagar pelo que fez. É por isso que colocamos a faixa aqui, na esperança de informações que levem até ele’’, disse Gustavo. Até ontem à tarde, os filhos do mecânico não tinham recebido nenhuma informação sobre o motoqueiro.
Rodolfo reclama que não conseguiu registrar a ocorrência do acidente junto à Companhia de Trânsito (Ciatran) da Polícia Militar porque não tem a placa da motocicleta do atropelador. ‘‘Os policiais que atenderam a ocorrência, depois de chamados pelo Siate, disseram que não tinham material suficiente para a abertura do inquérito. Considero isso uma negligência. Acredito que o papel da polícia seria ouvir as testemunhas, investigar até identificar o criminoso e levá-lo a julgamento’’, desabafou.
O soldado José Abelini, que estava de plantão na tarde de ontem na Ciatran, confirmou que não dá mesmo para registrar a ocorrência e abrir o inquérito sem, pelo menos, a placa do veículo responsável pelo atropelamento. ‘‘Não há como, não podemos fazer nada. A placa seria o começo. Sem ela, vamos registrar a queixa contra quem?’’, indagou.

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