Estudantes preferem morar perto da faculdade
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domingo, 03 de abril de 2005
Carolina Avansini<Br>Reportagem Local 
Com cinco grandes universidades instaladas em seu perímetro urbano, Londrina reúne pelo menos 32,7 mil estudantes no ensino superior. Naturais do município ou vindos de outras regiões, eles geram demandas específicas por transporte, moradia, alimentação e diversão. Para economizar tempo e dinheiro, muitos universitários preferem morar e se alimentar próximos das faculdades. Essa movimentação mudou a paisagem de alguns bairros. Condomínios, pensões, restaurantes e lanchonetes foram construídos ou adaptados para atender as necessidades dos jovens estudantes.
Maior instituição de ensino do município, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) possui 14,5 mil alunos na graduação. No passado, a única opção de moradia para os universitários ''de fora'' eram as repúblicas no centro da cidade. A construção de condomínios vizinhos à UEL, entretanto, mudou esse quadro. Os prédios, localizados a alguns minutos da universidade, eliminam gastos com transporte e possibilitam que os moradores se alimentem no Restaurante Universitário (RU).
Nathalia Maciel Maniezzo, 19 anos, vinda de Catanduva (SP) e caloura do curso de biomedicina, mora em um condomínio ao lado da universidade e almoça todos os dias no RU. ''É mais prático'', contou ela, que raramente visita o centro da cidade. ''No condomínio tem piscina, área de lazer e academia. Quase não preciso sair'', revelou.
Moradora de outro condomínio próximo à UEL, Fernanda de Oliveira Matiolli, 19, de Marília (SP) e que cursa o primeiro ano de odontologia, escolheu o local para morar pela praticidade e pela economia. ''Não gasto com ônibus, almoço e janto no RU todos os dias. É bem mais barato'', disse. Seu vizinho, o calouro de ciências sociais André Gheti César, 19 anos, sequer procurou opções de moradia no centro.
''Imaginava que haveria repúblicas perto da UEL e vim direto para cá. Dei sorte e encontrei dois estudantes que procuravam alguém para dividir um apartamento no condomínio'', contou ele. Com pouco dinheiro no bolso, o rapaz quase não vai ao centro ''para economizar ônibus''. ''Já fui uma vez a pé, mas o trânsito na rodovia é perigoso'', disse o estudante, que também arriscou caminhar, em duas ocasiões, ao supermercado do Catuaí Shopping. ''É bem longe'', reclamou.
A Unopar reune, em três campi, 12 mil estudantes de graduação. Na vizinhança do mais antigo deles, localizado no Jardim Piza (Zona Sul), pensões instaladas por antigos moradores e prédios de apartamentos são as moradias preferidas dos alunos cujas famílias moram em outras cidades. Matriculado no segundo ano de ciências aeronáuticas, Bruno Aukar, 22 anos, de Ribeirão Preto (SP), mora em uma república próxima à universidade. ''Preferi morar longe do centro e perto da universidade. Ônibus, além de ser caro, é muito desconfortável'', opinou ele, que gasta R$ 170,00 com despesas de habitação e R$ 3,50 por refeição nas lanchonetes e restaurantes próximas à Unopar.
Seu colega de curso Carlos Alberto Guastald, 22, de Maringá, preferiu o conforto de um pensionato. ''Não me preocupo com comida e serviços domésticos'', revelou. Por R$ 410,00 mensais, ele faz três refeições por dia, tem casa limpa e roupa lavada. ''Pela mordomia, é barato'', avaliou. Também estudantes do curso de ciências aeronáuticas, Gustavo Batstella, 18, de Boituva (SP) e Jefferson Moura, 21, de Marília (SP), moram em um pensionato vizinho à universidade pela praticidade. ''Economizamos com ônibus e acordamos mais tarde'', contam eles, que pagam R$ 350,00 pelo serviço.
Após passar um ano fazendo diariamente, de ônibus, o trajeto entre Londrina e Assaí (36 km a leste de Londrina), a estudante do terceiro ano de Fisioterapia, Juliana Sayuri Ikeda, decidiu morar com uma amiga em Londrina. Há um ano, elas dividem um apartamento perto da Unopar. Por valorizar a privacidade, ela preferiu não se hospedar em pensões. Ao contrário de muitos estudantes, a moça gosta de cozinhar e fazer serviços domésticos, por isso, almoça e janta em casa todos os dias. ''É mais barato fazer uma compra mensal'', compara.
A professora de ginástica rítmica (GR) Michelle Salzano, 21 anos, de São Paulo, morou no alojamento da equipe de GR da Unopar por sete anos. Formada em Educação Física, ela preferiu ficar em uma pensão quando teve que deixar o alojamento. ''É mais cômodo, não tem que lavar roupa'', conta a professora, que tentou dividir um apartamento com outras moças. ''Não deu certo'', lamentou ela, que paga R$ 350,00 por um serviço que oferece três refeições, roupa lavada e quarto individual.


