Especial para a Folha

Albari RosaJoão Nunes da Silva Jr, há três anos na CEU: ‘‘Nos dias de chuva a água entra direto porque as janelas são velhas e não vedam mais’’Os estudantes de baixa renda que querem fazer um curso superior público em Curitiba vão ganhar uma nova alternativa de alojamento. Foi aprovado numa comissão do Congresso Nacional e incluído na proposta de Orçamento de 1998 um aumento de recursos da ordem de R$ 3,5 milhões para a Universidade Federal do Paraná (UFPR), destinados à construção da Vila Universitária e do Restaurante-Escola.
Apresentado no Congresso Internacional de Cidades Educadoras, em setembro de 1996, em Curitiba, o projeto da Pró-Reitoria de Recursos Humanos e Assuntos Estudantis (Prhae) tem como objetivo solucionar o problema da falta de moradia para estudantes que vêm de outras cidades. Hoje, os estudantes contam com a Casa do Estudante Universitário (CEU) e a Casa da Estudante Universitária de Curitiba (CEUC). Ambas estão precisando de reformas na parte hidráulica e elétrica.
O novo complexo deverá ser construído em uma área de 9.207 metros quadrados, na Cidade Universitária (Centro Politécnico), e terá capacidade inicial para abrigar 700 estudantes.
O projeto arquitetônico foi elaborado pelo professor de arquitetura José Sanchotene. Serão casas moduladas independentes, de 30 metros quadrados, com dois pavimentos e capacidade para três moradores, todas com acesso para deficientes físicos. O mobiliário, igual para todas as casas, foi criado pela aluna de Desenho Industrial Lesley Ann Melanie Noel.
‘‘Detectamos que o maior coeficiente de aproveitamento é dos alunos que residem nas moradias estudantis. Logo, eles precisam de um local adequado para viver e exercer suas atividades’’, acredita a pró-reitora de Recursos Humanos, Maria Albertina Carino de Camargo. A universidade prevê prazo de 18 meses para a construção, que deve começar assim que os recursos sejam liberados.
As residências estudantis vinculadas à UFPR em Curitiba enfrentam problemas de infra-estrutura. Para o estudante de Engenharia Mecânica João Nunes da Silva Jr., de Paranaguá, que mora na Casa do Estudante Universitário há três anos, o que vale é o companheirismo entre os moradores, já que a moradia deixa a desejar. ‘‘As instalações hidráulicas e elétricas estão em más condições, por serem muito antigas. Nos dias de chuva a água entra direto porque as janelas são velhas e não vedam mais’’, diz Silva. A CEU tem capacidade para 400 estudantes e oferece biblioteca, lavanderia, sala de jogos e de estudos. O estudante pode residir na CEU até a conclusão do curso, pagando um aluguel mensal que varia de R$ 40,00 a R$ 70,00, de acordo com as condições financeiras de cada um. Para Silva, a construção da Vila melhoraria a qualidade de vida de quem migra para estudar em Curitiba.
A UFPR tem ainda um projeto para a criação de um Centro de Convivência, onde o estudante teria também acesso a um espaço destinado a shows, palestras e eventos, estimulando a integração com a sociedade. ‘‘Dos estudantes matriculados na UFPR, 47% vieram de escolas públicas e 50% pertencem à classe baixa. O complexo da Vila Universitária não significa um benefício social, mas sim o respeito ao aluno de classe menos privilegiada’’, explica Maria Albertina.

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