Estudantes pesquisam sugestões para Plano Diretor
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terça-feira, 21 de março de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Alunos do Colégio Estadual Maria José Balzanelo Aguilera, localizado no Conjunto Cafezal 4 (Zona Sul de Londrina), serão a ponte entre os moradores do bairro e o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) na formulação do Plano Diretor do município. Estudantes do 1º ano do Ensino Médio estão passando de casa em casa para coletar opiniões sobre os principais problemas da região, que serão apresentadas ao Ippul em abril.
''Reclamação? Não tenho nenhuma, não''. A resposta, ouvida pelos estudantes em vários portões, muda da água para o vinho com um pouquinho de provocação. ''Algum problema na área de saúde, segurança, por exemplo?'' ''Ah, tem sim. O atendimento no posto de saúde é ruim. Uma amiga minha esperou meses por uma consulta com cardiologista e a carta chegou 30 dias depois que ela já tinha morrido'', apontou o caminhoneiro Deoclides Sabino, lembrando-se também de que ''a praça tem muito mato''.
Os cerca de 40 jovens pesquisadores acabaram ouvindo muitas queixas: ''A segurança está péssima, não só aqui, mas na cidade toda. Saúde, então, nem se fala'', desabafou o morador João de Morais, depositando suas esperanças nos estudantes: ''Espero que vocês ajudem a dar um jeito na situação, porque só pela juventude a gente ainda pode conseguir''.
O professor de Geografia Marcos Regis Matheus, coordenador da pesquisa na turma do 1º ano, diz que a maioria dos estudantes, a exemplo dos próprios moradores, não sabia o que era o Plano Diretor. ''Explicamos o conceito em sala de aula e falamos do Estatuto das Cidades. Esse trabalho oferece aos alunos uma lição de cidadania e a oportunidade de conhecer os problemas do bairro, buscando também soluções'', salientou.
Soluções que os alunos esperam ver na prática, num futuro próximo. ''A gente vai mandar as sugestões para o prefeito. Se forem cumpridas, acho que pode dar resultado para melhorar a cidade'', torce Marcos Júnior Beraldi de Castro, 14 anos. ''As pessoas parecem meio desinformadas no começo, mas depois começam a citar os problemas. É impossível não ter nada do que reclamar'', conclui Felipe Augusto de Matos Soares, também com 14 anos.
Outras turmas do colégio estão desenvolvendo o trabalho. Segundo o professor Marcos, cada escola irá eleger um representante para exibir os resultados da pesquisa em um encontro na Câmara Municipal, marcado para o mês que vem.
Segundo o diretor de Planejamento do Ippul e coordenador do Plano Diretor, Gilson Bergoc, todas as escolas de Londrina foram convidadas a participar da discussão, em uma iniciativa chamada de Plano Diretor Jovem Participativo. ''Através desta ação, queremos levar o assunto para dentro das casas e estimular as famílias a pensarem o futuro da cidade.''
''Cada escola está aderindo de acordo com as suas possibilidades. Há casos em que nos chamam para dar palestras, em outros os alunos vêm até o Ippul levantar informações'', exemplifica.
O Plano Diretor é uma exigência definida no Estatuto das Cidades para municípios com população superior a 20 mil habitantes. Ele serve de instrumento para a política de desenvolvimento e expansão urbana do município. Diversas propostas para Londrina foram discutidas em audiências públicas no ano passado. O plano ainda precisa ser apreciado em uma conferência antes de ser submetido à Câmara de Vereadores. (Colaborou Silvana Leão)


