Os 25 estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) trabalharam durante dois meses para realizar o 1º Censo da Reforma Agrária. O coordenador do censo, professor Paulo Bassani, observa que eles foram divididos em cinco equipes e percorreram aproximadamente 18 mil quilômetros em 24 municípios.
Uma das principais dificuldades dos recenseadores foi encontrar o assentamento. ‘‘Os mapas não continham as estradas vicinais, por isso, tivemos que procurar muito para chegar até o assentamento. Às vezes rodávamos 50 a 80 quilômetros a mais por falta de informação.’’
Paulo Bassani explica que, para encontrar o local exato, eles costumavam perguntar aos moradores locais, o que também não ajudava muito. Para exemplificar, ele conta que em Reserva (sul do Estado) existem cinco assentamentos e dois acampamentos. Os moradores da cidade confundiam um com outro e acabavam ensinado o caminho errado.
O coordenador do censo relata também que o pessoal do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) deveria chegar antes nos assentamentos para avisar sobre o censo e combinar um dia para reunião em local pré-estabelecido - geralmente, na sede do assentamento. Mas isso nem sempre acontecia e os estudantes eram obrigados a percorrer casa por casa. ‘‘Ao invés de ficar um dia, acabávamos perdendo dois ou três dias.’’
Paulo Bassani observa que os recenseadores, de maneira geral, foram bem recebidos. Apenas alguns deles mostravam um certo receio, querendo saber o que o Governo iria fazer com os dados coletados. ‘‘Eles queriam saber também como o censo iria beneficiá-los.’’
(Lucília Okamura)

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