Mais de mil alunos secundaristas e universitários foram ontem para o Calçadão de Londrina reivindicar facilidade de acesso às universidades públicas e passe livre no transporte, além de protestar contra o sucateamento do ensino. Eles culparam os governos federal e estadual pelo desmonte do ensino. Hoje é o Dia do Estudante.

Os jovens que frequentam escolas públicas exigem uma reserva de 50% de vagas nas universidades gratuitas. O diretor da União Paranaense de Estudantes Secundaristas (UPES), Carlos Eduardo Rodrigues Bonfim, afirmou que não há o que comemorar, sobretudo quando a situação da educação reflete a desigualdade social do País. Segundo Bonfim, dos 73% de estudantes de escolas públicas que prestam vestibular, apenas 40% conseguem passar. Destes, somente 10% entram nos cursos mais disputados. Ele disse que cerca de 80% das vagas nas universidades públicas ficam para alunos que estudaram em escolas particulares.

Os estudantes também protestaram contra o decreto da Secretaria de Educação do Estado que deixa a comunidade escolar de fora das eleições para diretor na rede estadual de ensino. Para eles, não há representatividade na escolha se os estudantes não puderem participar das discussões. O presidente da União Paranaense de Estudantes (UPE), Madson de Oliveira, disse que o maior problema da educação atualmente é a desmotivação dos alunos. A dificuldade de acesso ao ensino universitário gratuito, a falta de moralidade, em todas as esferas da administração pública, contribuem para afastar os estudantes da educação.

Para o diretor da União Nacional de Estudantes (UNE), Gustavo Petta, está ocorrendo no País a privatização silenciosa do ensino. ''Virou uma mercadoria, com faculdades pipocando por toda parte'', criticou.

O presidente da União Londrinense de Estudantes Secundaristas (ULES), Rafael Augusto Silva, ressaltou que são os alunos que devem apresentar idéias para a viabilização do passe livre.

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