Estudantes param ônibus e pulam roleta como forma de protesto
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terça-feira, 03 de junho de 2003
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Estudantes fizeram diversas manifestações na manhã de ontem contra o reajuste da tarifa do transporte coletivo em Londrina. Por volta das 9 horas, cerca de 20 estudantes universitários protestaram na rua Guararapes (área central), caminho da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Um grupo de oito pessoas parou um ônibus e pulou a roleta, entrando sem pagar. O motorista permaneceu no local por alguns minutos até que eles saíssem do veículo.
Alguns passageiros não concordaram com a manifestação e desceram para tomar outro ônibus. ''Hoje é o meu primeiro dia de trabalho e eu já vou chegar atrasada. Posso perder o emprego. Eles tinham que protestar perto da universidade'', reclamou Célia Pepe de Oliveira, 29 anos. A também estudante Karina Cotrim, 20 anos, concorda com o movimento, mas não da forma como foi feito. ''O protesto deve ser feito em outro local. Estou sendo prejudicada, tinha prova agora e vou perder'', disse.
De acordo com a aluna de ciências sociais e organizadora da manifestação, Crisleane Guimarães, 19 anos, a intenção é defender os trabalhadores. ''A briga é pelas pessoas que trabalham e dependem do ônibus. As empresas querem aumentar o salário dos motoristas, mas não podem tirar esse aumento do bolso dos trabalhadores'', comentou. A também estudante de ciências socias Cristiane Quinteiro, 21 anos, garantiu que enquanto a tarifa não baixar os protesto vão continuar. ''O valor é injusto, abusivo e ilegal. Vamos conscientizar os trabalhadores de que eles estão sendo lesados'', disse.
Aos poucos, estudantes que estavam em outros ônibus foram aderindo ao movimento. Eles deitaram no chão impedindo que os veículos passassem. Uma passageira que levava o filho ao médico ficou muito irritada. Para tentar acalmá-la, os manifestantes arrumaram uma carona para a mulher. A opinião das pessoas que passavam na rua se dividiam. O agricultor Angelino Delmônaco, 50 anos, é favorável ao protesto. ''Sou contra o vandalismo, mas é preciso se manifestar. Se for na prefeitura e reclamar não é atendido, por isso temos que brigar pelos nossos direitos'', afirmou.
Depois, os estudantes foram até a avenida Humaitá, também via de acesso à UEL, e fecharam a pista com troncos de árvores e pedaços de bambu. Eles pararam mais ônibus. O aposentado José Henrique de Azevedo Brunelli, 63 anos, passageiro de um deles, ficou revoltado com o protesto. ''Tem que reclamar para o prefeito e para os donos das empresas, os passageiros não têm culpa'', esbravejou.
Na hora do almoço, centenas de estudantes se reuniram no Restaurante Universitário da UEL para fazer um novo protesto. Houve um princípio de tumulto quando alguns manifestantes tentaram arrombar as portas do ônibus. Eles gritavam frases de protesto como ''mãos ao alto: R$ 1,60 é um assalto''.
No início da tarde, um grupo de três estudantes deitaram em frente ao ponto das linhas 304 e 307 que circulam até a UEL dentro do Terminal Urbano e a Polícia Militar teve que intervir. Dois estudantes acabaram seguindo com a PM até a 10 Subdivisão Policial mas, segundo a delegada do 1º Distrito Policial, Tereza Cristina Possetti, nenhuma queixa foi registrada.
O gerente geral da Transporte Coletivo Grande Londrina (TCGL), Gildalmo de Mendonça afirmou ontem estar preocupado com a crescente onda de protestos. Segundo ele, a recomendação da empresa é que os motoristas não tenham reação e paralisem a viagem. ''Estou mandando hoje (ontem) ofícios a Polícia Militar, UEL e CMTU para tomem providências em respeito aos nossos usuários'', informou. O presidente da CMTU, Wilson Sella, afirmou ontem que, por enquanto, a companhia não deve tomar nenhuma atitude para coibir as manifestações. ''A manifestação é um direito da população e, enquanto não houver violência, é uma forma legítima de apresentar posições'', disse.(Colaborou Luciano Augusto e Adriana Savicki)


