Estudantes ocupam prédio de faculdade
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de fevereiro de 1999
Alexandre Sanches 
Um grupo de 35 estudantes da Fundação Faculdade de Agronomia Luiz Meneghel (FFALM) de Bandeirantes (34 quilômetros a oeste de Jacarezinho) ocupou ontem o prédio central da instituição. Eles protestam contra a demora de um acordo entre a direção da faculdade e os professores grevistas, que paralisaram as atividades no dia 1º de fevereiro. Os alunos também pedem o afastamento do diretor Luiz Carlos Reis até que sejam concluídas as investigações das denúncias de supostas irregularidades administrativas cometidas por ele.
Ontem, nenhum funcionário pôde entrar no prédio central, onde funciona todo o setor administrativo da FFALM. Somente a telefonista foi autorizada a trabalhar. Nos outros setores, os funcionários técnico-administrativos trabalharam normalmente, com exceção dos professores que, de acordo com o Sindicato dos Professores de Londrina (Sindiprol), aderiram em 90% à greve.
O presidente do Centro Acadêmico Carlota Meneghel, Jefferson Gabardo, disse que o protesto é pacífico. Queremos que a direção entre em acordo com os professores e acabe logo com a greve. Também solicitamos o afastamento do diretor até que as investigações de irregularidades sejam concluídas, afirmou. Ele garante que os 530 acadêmicos estão com prejuízos de três semanas de aula neste ano letivo.
Além do afastamento do diretor, os estudantes cobram ainda que um funcionário administrativo, sem ligações com a faculdade, seja o auditor dos documentos supostamente irregulares. Entre as acusações estão a contratação de funcionários sem concurso público, falta de licitação para obras e balanços contábeis adulterados. O prefeito (Lino Martins) fez a proposta de retorno às aulas hoje (ontem) e deu até o dia 4 para que o diretor apresente os documentos na Câmara de Vereadores. Só que são documentos referentes a exercícios realizados nos últimos três anos. O diretor teve muito tempo para reunir esses documentos, ressaltou.
O protesto dos estudantes não tem prazo para terminar. Jefferson Gabardo garantiu, no entanto, que nenhum bem da FFALM será depredado. Ele afirmou ainda que, no caso a Justiça conceda uma liminar de reintegração de posse para a faculdade, os 35 manifestantes deixarão o prédio pacificamente e vão acampar nos jardins na entrada do prédio. Estamos preocupados com o nosso futuro, disse Gabardo.
O diretor regional do Sindiprol em Bandeirantes, Rogério Barbosa Macedo, disse que os professores cobram os salários atrasados de dezembro, janeiro, o 13º salário e 1/3 de férias. Estamos terminando o mês de fevereiro sem saber como vai ficar a situação. Estamos tentando negociar desde o ano passado. No entanto, nunca tivemos acesso aos documentos da contabilidade, negado pela direção, acusou. Na sexta-feira houve uma rodada de negociação entre o conselho diretor e os professores, mas sem sucesso. Macedo garantiu que nenhum estudante será prejudicado no ano letivo por causa da greve.


