Estudantes no 'mundo da Lua'
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quinta-feira, 12 de julho de 2018
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 

"Olhando daqui o espaço parece perto, mas é muito longe". A pequena Letícia Mansano Paulo tem apenas seis anos de idade, mas já despertou para os mistérios do universo. "Para chegar no espaço tem que usar foguete e lá a gente vai ficar flutuando. Será que em outro planeta é frio?", pergunta.
A amiga ao lado, Emily Peçanha, 7, aproveita para dizer que tem "medo de ir para tão longe", mas que se fosse de foguete talvez aceitaria o convite "porque eu tenho vontade de conhecer a Lua", completa.
Como essa "viagem" ao espaço ainda está no campo imaginário para os alunos da Escola Municipal Prof. Dr. Carlos da Costa Branco (zona sul de Londrina), a professora Magda Campello buscou meios de aproximá-los um pouco desta temática.
A curiosidade dos alunos sobre o espaço e a vida dos astronautas foram o ponto de partida para ela montar o projeto "No Mundo da Lua". Durante todo o ano de 2017, os 22 alunos do P5 da educação infantil participaram de atividades e aprenderam conteúdos relacionados. "Mas indiretamente toda a escola acabou se envolvendo porque é um tema atrativo", diz a professora Bruna Ester Gomes Yamashita, que coordenou o projeto.
Além da descoberta do sistema solar, os alunos também montaram uma cápsula do tempo, que será aberta daqui quatro anos, quando estiverem no 5º ano do fundamental. "Estudamos a eletricidade, as roupas espaciais e confeccionamos um boneco que os alunos levaram para casa junto com um diário de bordo para ser uma atividade em família", conta Campello.
"Foi uma boa oportunidade de envolver os pais e percebi que o Lucas ficou mais interessado em aprender porque ele gosta muito do tema", conta Marcela Pelisson, mãe do aluno Lucas Pelisson de Araújo, 6.
O projeto ainda levou alunos do curso de física e engenharia elétrica da UEL (Universidade Estadual de Londrina) para apresentarem um pouco de seus estudos, proporcionu um contato com o astronauta Marcos Pontes e promoveu uma videoaula com o cientista Rodrigo Boufleur.
Mas um dos momentos mais aguardados por toda a escola foi a visita do pesquisador da Nasa (Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço), Ivan Glaucio Paulino-Lima, que aconteceu na manhã de sexta-feira (6). Ele é brasileiro e atua no Centro Ames de Pesquisas da Nasa em Moffett Field, no norte da Califórnia. Sempre que vem ao Brasil o pesquisador faz questão de conversar com alunos, mostrando um pouco de suas pesquisas.
"Sempre gostei da beleza do universo, da figura dos planetas, mas nunca tive na infância a oportunidade de ter contato com uma personalidade, um cientista, e por isso acho importante estar aqui. Esse tema exerce fascínio em todas as pessoas, em qualquer idade, então o objetivo é aproveitar essa curiosidade para atrair cada vez mais pessoas para as ciências espaciais", ressalta.
Na escola Carlos da Costa Branco, ele falou sobre exploração espacial para uma plateia ansiosa. "Eu queria saber se alguma experiência dele deu errado", diz João Gomes Martins, do 2º ano. Depois de responder as perguntas, Paulino-Lima convidou os estudantes a se inscreverem no concurso da Nasa.
Podem participar alunos de até 18 anos. "A ideia é que eles apresentem projetos ou histórias sobre como imaginam as estações espaciais no futuro. O objetivo é estimular a criatividade para temas de ciências espaciais e o trabalho vencedor recebe uma premiação de US$ 3 mil, mas todos ganham certificado de participação", afirma o pesquisador. As inscrições devem ser feitas no site da Nasa (settlement.arc.nasa.gov/Contest).
ORGANISMOS VIVOS
Paulino-Lima estudou Ciências Biológicas na UEL e desde então, não parou mais de se dedicar à Astrobiologia, que une duas áreas de paixão para o pesquisador: a Biologia e a Astronomia.
Atualmente, o pesquisador está à frente de dois projetos: uma missão espacial que vai testar experimentos biológicos simulando a gravidade de Marte e da Lua, e a verificação dos efeitos da radiação em células humanas para avaliar a possibilidade de prever os efeitos nos futuros astronautas.
"Vamos lançar organismos vivos em um satélite na órbita da terra, provavelmente em outubro desse ano. Controlando a rotação do satélite, vamos conseguir simular a gravidade e a microgravidade de Marte e da Lua", explica.


