Alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) acamparam em frente ao prédio do Serviço de Bem Estar da Comunidade (Sebec), no próprio campus, em protesto contra o processo de seleção dos moradores da Casa do Estudante. Eles iniciaram o ato na tarde de anteontem e madrugaram no local, dormindo em colchonetes ao ar livre.
O principal motivo do protesto, segundo os estudantes, é que quatro residentes da casa foram impedidos de participar da seleção deste ano e tentar renovar a permissão para continuar no local. O Sebec teria alegado que os alunos perderam o prazo para retirar os formulários de inscrição e determinado que os mesmos deixassem a residência estudantil até o próximo dia 7.
Morador da casa há três anos, o aluno do 4º ano do curso de História Danilo Ramos da Silva, contou que não conseguiu reunir a documentação exigida pela UEL a tempo o prazo vencia na sexta-feira passada. Ele disse que contava com a compreensão das assistentes sociais, mas nesta semana se deparou com avisos de despejo espalhados pela casa. ''As pessoas não podem ser tratadas desse jeito. Sou morador da Casa do Estudante há três anos, eles (Sebec) têm toda a minha documentação, conhecem meu histórico, e por burocracia querem me colocar na rua'', desabafou.
Ex-presidente da Casa do Estudante, quando o órgão ainda era gerido pelos próprios universitários, Danilo afirmou que terá dificuldades para encontrar outro local para morar. ''Minha mãe já avisou que só poderia me mandar algum dinheiro daqui a uns dois meses; a gente sobrevive só com R$ 30, R$ 40,00'', observou.
Embora apenas Danilo e mais três alunos estejam nessa situação, o protesto conseguiu reunir cerca de 40 pessoas, de acordo com os estudantes. Além de serem solidários aos colegas, os jovens aproveitaram a oportunidade para denunciar outros problemas relacionados à moradia estudantil. ''Como podem encerrar as inscrições da casa se as convocações extraordinárias do último vestibular ainda não acabaram? E se os novos alunos precisarem do benefício?'', questionou Rodrigo Mortari, 23 anos, aluno de Ciências Sociais e morador da casa.
O estudante de História Joair Brazil de Campos, 31 anos, relatou problemas enfrentados por ele e outros moradores da casa. ''Um pedaço do teto do banheiro caiu recentemente e ele ficou interditado por quase três meses. Estamos com um chuveiro queimado desde dezembro e 70 homens têm que tomar banho todos os dias em um único lugar'', revelou. ''A UEL não considera que lá é nossa casa; para eles é apenas um albergue onde dormirmos. E a situação deve piorar na nova casa que está sendo construída: serão seis pessoas em cada quarto'', apontou André Lima, 25, do 3º ano de Design e Moda.
A atual moradia estudantil funciona em um prédio na Avenida São Paulo, Centro de Londrina, desde o ano passado. Os estudantes foram transferidos para lá depois que a antiga casa, na Avenida JK (também no Centro), foi desativada em razão de problemas na estrutura física. Desde então, a UEL realiza seleções anuais para concessão do benefício de moradia. Um novo prédio está sendo construído no campus, com previsão de abrigar 140 estudantes.
Os manifestantes entregaram um ofício ao reitor da UEL, Eduardo Di Mauro, reivindicando que os atuais moradores possam se inscrever na seleção da casa. Entretanto, uma reunião do Conselho de Administração, ontem à tarde, determinou que haverá uma prorrogação do prazo de inscrição apenas para alunos novos, que tenham entrado através das chamadas extraordinárias ou de transferências.

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