Estudantes marcham pela educação
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quinta-feira, 06 de setembro de 2012
Micaela Orikasa <br> Reportagem local 
Mais de mil estudantes da rede pública de ensino foram às ruas ontem pela manhã em Londrina para reivindicar uma educação de melhor qualidade. Munidos de cartazes, apitos, alto-falantes e uma caixa de som, os alunos, a maioria do ensino médio, queriam mesmo chamar a atenção.
A manifestação começou no Calçadão e terminou em frente ao prédio do Núcleo Regional de Educação, na Avenida Maringá, na Zona Oeste. No trajeto, a quantidade de estudantes paralisou algumas ruas e despertou a curiosidade de quem passava pelo Centro.
''As escolas não têm infraestrutura, segurança e os professores são mal remunerados. A situação hoje é de sucateamento da educação'', declarou o estudante do segundo ano de Direito da Universidade Estadual de Londrina, Alexandre José De Bianchi Rocha. Universitários de outros cursos também participaram do movimento. Segundo Alexandre, o chamamento aconteceu através das redes sociais. ''Não imaginávamos que tantos estudantes iriam aderir'', revelou.
A Marcha pela Educação aconteceu em todo o País, em cerca de 30 cidades, para pressionar a aprovação da aplicação dos 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em Educação, no Plano Nacional de Educação (PNE), entre outras reinvindicações, como melhorias na infraestrutura das escolas e, consequentemente, as condições de trabalho dos professores.
Porém, os manifestantes também pretendem com o ato, resgatar os movimentos estudantis em todo o País. ''O sistema educacional está falido e nós (alunos) estamos cansados de ficar parados, sem fazer nada. Nossa intenção é trazer a cosnciência política aos estudantes'', comentou Thiago Vinicius Louro, do 3º ano do Ensino Médio do Colégio de Aplicação da UEL.
Para ele, a queda na nota do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do Ensino Médio no País, é um reflexo da falta de investimentos do governo. Recentemente, a FOLHA publicou os problemas enfrentados pelas instituições de ensino, como a falta de professores, profissionais desmotivados, infraestrutura precária e indisciplina dos alunos. A reportagem também revelou que, no Paraná, a nota do Ideb caiu de 4,2 para 4 e em todo o Brasil, a nota de 3,7 subiu apenas 0,1 ponto em relação ao resultado de 2009.
A professora dos ensinos fundamental e médio do Colégio Estadual Vicente Rijo Camila Abrahão participou da manifestação a convite dos alunos. Ela apoia o movimento pelo entendimento de que ''os alunos sentem uma necessidade de atenção, de serem vistos e ouvidos e isso já valida a iniciativa''.
A marcha em Londrina não foi liderada pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e nenhum outro movimento de força estudantil. ''Fomos combinando pelo Facebook e muita gente está participando. Acho que nossa educação precisa melhorar e essa manifestação é uma forma de mostrar que estamos preocupados'', afirma Camilla Kethelyn Dias Alves, aluna do 1º ano do ensino médio do Colégio Estadual Professora Maria José Balzanelo Aguilera, na Zona Sul de Londrina.
A ''Mobilização Geral dos Estudantes Brasileiros'' aconteceu simultaneamente em pelo menos 33 cidades e tem como lema ''Independência, Educação de Qualdiade e Trabalho Decente''.


