Estudantes ignoram lei e praticam trote
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segunda-feira, 05 de março de 2001
Marta Medeiros De Maringá 
Uma lei municipal e o esforço de um grupo de professores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) não foram suficientes ontem para minimizar os efeitos do trote aos calouros da instituição. Grande parte dos mais de 1,3 mil novos alunos se sujeitaram às brincadeiras violentas e de mau gosto promovidas pelos acadêmicos. Os calouros foram submetidos ao contrangimento de andar descalços, sujos de lama, com roupas íntimas do lado de fora, rostos pintados e cabelos raspados.
Nas ruas do centro da cidade, um grupo foi obrigado a pedir dinheiro para bancar bebidas e festas de veteranos. Há dois anos, uma lei municipal proíbe o trote em lugares públicos. A lei não é respeitada e nem fiscalizada, apesar de estabelecer multa de R$ 500,00 para cada infrator. O universitário é crítico ao sistema e ao governo, mas ele próprio, ao promover o trote está plantando a semente de domínio de um grupo sobre outro, avaliou ontem a professora Sônia Negrão, diretora de ensino e graduação da UEM e uma das coordenadoras da campanha Estudante Cidadão que prevê o fim do trote na universidade.
Segundo Sônia, a campanha cria uma série de possibilidades de trote cultural para os calouros. Este ano, o Estudante Cidadão programou tour cultural, palestras e para a próxima sexta-feira, apresentação da Orquestra Sinfônica de Londrina. Sabemos que o trabalho é homeopático e visa somente resultados futuros, ressalta a coordenadora. Não é fácil lidar com a situação porque quem passa por um trote tem necessidade de fazê-lo no próximo ano, acrescenta Sônia. Ela diz que mesmo com o consentimento do calouro, o trote é considerado uma violência.
A coordenadora da campanha afirma que este ano, a reitoria da UEM chegou a pedir apoio para a Polícia Militar. Mas, segundo o tenente Carlos Cardoso, do 4º Batalhão da Polícia Militar (4º BPM), a polícia não tem como agir sem solicitação formal do agredido. Estamos prontos para prevenir violência, independente de lei municipal, mas não podemos ser arbitrários sob pena de sermos acusados de abuso de autoridade, afirmou o tenente.
Pelo câmpus da UEM não é difícil encontrar acadêmicos barbarizando calouros. Mesmo assim, a maioria dos novos alunos afirma que aceita as brincadeiras, porque tem medo de represálias durante o curso. O calouro de engenharia civil, Vitor Sanches, 18 anos, que fazia pedágio ontem à tarde nas ruas de Maringá, disse que preferia um trote mais social. Seria muito melhor se pudéssemos pedir alimentos para doar aos carentes, afirmou Sanches.
Ele estava no pedágio às 14h30, quando conversou com a reportagem. O trote havia começado às 8h30, com banho de lama. Ele e mais dois colegas eram fiscalizados pelo veterano que se identificou como Vagner Olivetti. Conforme Olivetti, cada calouro é obrigado a arrecadar no mínimo R$ 15,00 para a realização de uma festa. Ele não quis informar quanto havia arrecadado, mas o envelope tamanho ofício que carregava aparentava um volume considerável de dinheiro. Segundo os calouros, na prática do pedágio o dinheiro é utilizado para a compra de cerveja aos veteranos.


