Mais de 250 estudantes da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) que costumam almoçar no Restaurante Universitário da instituição, no campus central, ficaram sem as refeições na última sexta-feira. O serviço foi suspenso porque uma das duas panelas de pressão utilizadas para cozinhar arroz explodiu na sexta-feira. Ela tem capacidade para 40 litros de água e cerca de 35 quilos do cereal e é considerada fundamental para que as cozinheiras consigam preparar a quantia necessária de alimentos.
A terceira panela desse gênero utilizada no RU havia estragado na quinta-feira. Com os equipamentos danificados, os estudantes podem continuar sem refeições durante esta semana. Quem foi até o RU na sexta-feira conta que uma das cozinheiras ficou ferida com a explosão. ''Elas estavam chorando porque são como mães para nós e ficaram constrangidas de não poder servir a refeição'', conta Marcos Silva, 19 anos, presidente do Centro Acadêmico de Jornalismo.
Além das panelas, outros equipamentos do refeitório estão com problemas. É o caso da máquina de lavar. Nos últimos meses, as cozinheiras estão tendo que lavar as bandejas manualmente por falta da máquina.
Uma das diretoras do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Delma Terezinha Ristof, 26 anos, diz que a situação do refeitório é o retrato do sucateamento da instituição. Segundo ela, os problemas no RU se intensificaram há cerca de três meses, quando a universidade parou de servir refeições à noite por causa da falta de funcionários.
Delma culpa o governo do Estado pela situação, já que a universidade deixou de receber investimentos nos últimos anos, e também o reitor da UEPG, Roberto Frederico Merhy, que segundo ela ''é muito submisso''. O reitor foi procurado, mas em sua residência informaram que ele está em Fortaleza e depois segue para Brasília, só retornando a Ponta Grossa na quinta-feira da próxima semana. A vice-reitora, Leide Mara Schimidt, desconhecia o problema.
O chefe da Divisão de Serviços da UEPG, Jairo Amado Amim, diz que a panela já foi enviada para o conserto e deve ficar pronta na terça-feira, quando o restaurante volta a servir normalmente. Ele admite que as panelas são velhas e isso pode ter provocado o problema. O conserto de uma das panelas foi orçado em R$ 1,2 mil. Amim considera que seria menos dispendioso para a UEPG comprar máquinas novas do que pagar consertos frequentes, mas diz que ainda não conseguiu liberação de recursos para isso.
Segunda-feira, os estudantes farão uma assembléia para discutir essas questões e devem marcar um protesto na frente do gabinete do reitor. Antes da assembléia, no entanto, eles participam da manifestação em favor do projeto popular contra a venda da Copel, que acontecerá em Curitiba, e também contra o projeto que prevê a divisão de vagas nas universidades entre estudantes da rede pública e particular.
A estudante Delma Terezinha Ristof diz ainda que a falta de funcionários está prejudicando também o funcionamento das bibliotecas da UEPG. ''No bloco onde eu estudo a biblioteca agora fecha na hora do almoço e funciona só até as 17 horas. Quem estuda e trabalha não tem a menor condição de frequentar o local'', queixa-se.

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