Estudantes fazem provas do Enade
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segunda-feira, 08 de novembro de 2004
Francismar Lemes<Br>Reportagem Local 
O domingo para 2.297 estudantes londrinenses foi de prova. Eles se somaram aos 14.684 alunos de faculdades paranaenses que, no total de 156 mil em todo o Brasil, fizeram a avaliação do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). Em Londrina pelo menos 100 estudantes do curso de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina (UEL) - a maioria ingressante - boicotaram o exame.
Até o final desta edição, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) ainda não tinha divulgado o número de estudantes faltosos ao exame que substitui o antigo Provão - avaliação anual obrigatória para os concluintes dos cursos. O Enade trabalha com amostragem de ingressantes e concluintes, avaliados a cada três anos. Prestaram as provas, alunos dos cursos de Agronomia, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia, Terapia Ocupacional, Zootecnia e Serviço Social.
Um piquete promovido pelo Centro Acadêmico de Serviço Social (CA) no portão do Colégio Estadual Professora Maria do Rosário Castaldi, Jardim Bandeirantes (Zona Oeste) - local de provas para 459 estudantes - tentou convencer os alunos do curso a não fazerem o exame. Os estudantes eram orientados a assinar a prova e colar um adesivo no gabarito.
Uma das coordenadoras do CA, Júlia Baldi, 19 anos, aluna do segundo ano de Serviço Social, ressalta a preocupação dos estudantes com o exame que, conforme a legislação que o criou (Lei número 10.861, de 14 de abril de 2004), obriga o aluno a participar para obter o diploma.
''As universidades melhores colocadas na avaliação terão mais facilidades para conseguir investimentos. Lutamos por uma avaliação realizada pelas próprias universidades. No caso da UEL, somos uma universidade estadual. A prova do Enade é elaborada a nível nacional. O nosso curso, por exemplo, possui três correntes distintas. Dependendo da corrente do avaliador, isso será levado em consideração'', aponta Baldi.
Ao contrário dos manifestantes, os estudantes que fizeram as provas que, além do Colégio Castaldi foram realizadas, em Londrina, no Instituto Estadual de Educação de Londrina (IEEL), Colégio Marcelino Champagnat e Colégio Estadual Hugo Simas, aprovaram o exame. As provas tiveram 10 questões de avaliação da formação geral, comum aos cursos de todas as áreas, e 30 específicas para cada área.
''Achei difícil. Estou no primeiro ano do curso. Acho que agora não seria o momento de fazer essa prova porque não temos conhecimento do que caiu. Acredito que seja mais fácil para os que já estão no quarto ano. Porém, o exame servirá para se ter uma comparação de como entramos e vamos sair da faculdade'', afirmou Desirée Marcelle Toreto, 18 anos, aluna do primeiro ano de Fisioterapia da Universidade Norte do Paraná (Unopar), que prestou o exame no Hugo Simas.
Adriano da Silva, 27 anos, aluno do quarto ano de Educação Física da UEL, fez uma avaliação positiva do exame. ''Considerei a prova fácil e muito inteligente. Bem formulada e condizente com o nosso curso. Uma prova bastante completa e que consegue avaliar se o aluno adquiriu conhecimentos éticos, por exemplo'', destacou o universitário.


