Curitiba - Estudantes voltaram a exigir do governo municipal o passe livre no transporte coletivo. Na manhã de ontem, eles realizaram uma passeata pelas ruas do Centro de Curitiba e seguiram até a prefeitura, onde representantes de movimentos estudantis estadual e nacional foram recebidos por representantes do governo. Ficou definido que na segunda-feira, 19 de maio, eles voltam a conversar, agora com o presidente da Câmara Municipal, João Cláudio Derosso, para discutir a possibilidade de uma audiência pública com o prefeito Beto Richa.
O presidente da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes), Rafael Clabonde, diz ''que a abertura de diálogo é positiva, mas a prefeitura se omite de sua responsabilidade, já que em outras cidades como Maringá existe o passe livre sem aumento de tarifa.'' Na reunião, Paulo Schmidt, presidente da Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs), explicou que ''constitucionalmente a prefeitura não pode aplicar recursos para financiar custos com o ensino médio porque isso é de responsabilidade dos governos estadual e federal''. Os estudantes querem a abertura das contas da Urbs, já que a diretoria do órgão garante impossibilidade de implantar o benefício de forma irrestrita sem aumentar a passagem em quase 100%, de R$ 1,90 para R$ 3,70.
As entidades estudantis propõem que as multas eletrônicas (pardais) e de estacionamento sejam utilizadas para o pagamento do passe, além da publicidade no ônibus e no mobiliário urbano.
Cerca de 1.500 estudantes foram acompanhados por batedores da Polícia Militar durante todo o percurso da passeata, desde a saída da Praça Santos Andrade até a prefeitura, onde guardas municipais protegiam o prédio, alocados pelo lado de dentro do prédio. Apesar do clima pacífico, o Grupo de Operações Especiais (GOE) foi acionado e colocado ostensivamente de prontidão com cacetetes em punho.
O maior incidente foi um tumulto provocado entre os manifestantes, quando um ônibus escolar chegou ao local para buscar alunos. Alguns exaltados que estavam no lado de fora lançaram cones de sinalização do estacionamento da prefeitura contra o ônibus. Desta vez, a guarda municipal não interferiu, embora estivesse diante da confusão. A PM dispersou o pessoal.
Hoje o passe livre é concedido para 4,9 mil alunos, inclusive aos de educação especial, e outros 23,2 mil são agraciados com a meia passagem. A despesa é financiada pelos usuários pagantes, segundo informações oficiais da prefeitura.
Questionado, Clabonde também esclareceu que não é funcionário do governo estadual. ''Sou vice-presidente do Conselho de Controle Social que fiscaliza recursos do Fundeb e não recebo nada por isso''

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