Carregando uma bandeira gigante pelas ruas para representar a luta histórica estudantil brasileira pelo passe livre, que em Londrina ficou marcada pela morte de Anderson Amaurílio da Silva, 21 anos, atropelado por um ônibus durante uma manifestação em julho de 2003, cerca de 50 estudantes londrinenses realizaram ontem de manhã uma manifestação.
Os londrinenses integrantes do Comitê Nacional pelo Passe Livre, Redução da Tarifa e Estatização do Transporte Coletivo aderiram às manifestações realizadas em várias cidades do País. A data foi escolhida por marcar a aprovação da lei do passe livre em Florianópolis, em 2004. Apesar de ainda não ter sido sancionada, a lei aprovada pelos vereadores da capital catarinense é considerada uma conquista estudantil. Além de alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), participaram do ato estudantes secundaristas e alguns professores.
Durante 15 minutos, os estudantes impediram a saída dos ônibus do Terminal Urbano, onde queimaram uma catraca simbólica, após uma pequena manifestação no Calçadão. Eles também lembraram o dia 24 de julho, data da morte de Silva, escolhida para ser o Dia Nacional Contra a Repressão e Criminalização dos Movimentos Sociais. Nas faixas e cartazes e em frases de efeito, os estudantes exigiram a punição dos responsáveis pela morte.
Além do passe livre para os estudantes, os manifestantes querem a redução da tarifa de R$ 1,90 para R$ 1,35. ''Em Londrina trabalhamos com duas bandeiras. A primeira é o passe livre, que consideramos um direito. Somos contrários ao passe livre social porque transforma um direito numa esmola, já que o estudante teria que provar que é miserável. Outro ponto que estamos batendo é a redução da tarifa, anulando os dois últimos aumentos da passagem do transporte coletivo. Defendemos ainda a estatização do transporte por acreditar que não pode dar lucro à empresas por ser um direito dos usuários. Sabemos que em um município do Norte Pioneiro a municipalização do sistema conseguiu reduzir a passagem de R$ 1,20 para R$ 0,25'', afirmou a estudante do mestrado da UEL, Soraia de Carvalho, 24 anos, integrante da manifestação.
Soraia disse que os estudantes estão se antecipando com a passeata para fortalecer o movimento estudantil contra um possível aumento da tarifa em 2006. ''Conforme o que foi assinado com as empresas em fevereiro em 2004, em fevereiro de 2006 também será embutido na tarifa uma revisão da margem de lucro de 7,5% a 10%.''
Apesar de nenhum agente de trânsito da CMTU acompanhar o protesto, não houve tumulto no tráfego. Usuários do transporte coletivo foram incentivados a não pagar passagem, enquanto os ônibus aguardavam a liberação da saída do terminal. Muitos se mostraram a favor do movimento dos estudantes. ''Acho justo e necessário o protesto. É um direito que os jovens têm à manifestação'', afirmou o funcionário público José Carlos Santiago, 43 anos.
Mas também houve quem não concordou com a posição dos estudantes. ''Não gosto desse tipo de manifestação, que não leva a nada. Já pensou na situação das empresas de ônibus se tiver passe livre para todos? Abaixar o valor da passagem sim, mas passe livre não'', protestou o aposentado Arnaldo Teixeira, 66 anos.
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Gabriel Ribeiro de Campos, não quis polemizar com os estudantes. Através de assessoria, disse apenas que está analisando o assunto.

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