Estudantes fazem manifestação contra violência
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de julho de 2004
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Alunos do ensino médio do Colégio Londrinense, na Área Central de Londrina, trocaram os uniformes por roupas pretas para assistir às aulas ontem. A iniciativa marcou um protesto silencioso, organizado pela estudante Lígia Morais Canônico, 16 anos, que perdeu o pai, o jornalista Cláudio Gomes Canônico, assassinado há nove anos.
''O que eu pretendo é tentar fazer com que os colegas de escola entendam que a violência gratuita que assola Londrina está mais próxima do que a imprensa nos dá a impressão'', explicou Lígia. Para isso, a aluna do 2º colegial visitou, anteontem, as salas dos 390 alunos do ensino médio, contando a história do pai, ocorrida quando ela tinha seis anos.
''O dia 29 de julho é aniversário do meu tio, e meu pai havia saído de casa para comprar um presente para ele. O vimos pela última vez às 11 horas, quando ele saiu. Depois disso, ele desapareceu e foi encontrado dias depois, morto com tiros, dentro do carro, atrás do Shopping Catuaí (Zona Sul)'', relatou Lígia.
De acordo com a mãe de Lígia, a assistente social Valéria Morais Canônico, na ocasião a Polícia Civil não conseguiu encontrar o assassino. ''Tudo aconteceu de uma forma tão rápida que nos chocou demais. Por isso nem insistimos para que a polícia continuasse com as investigações. Achávamos que isso só prolongaria a dor da perda, e eu tinha que cuidar das minhas filhas, então com nove e seis anos.''
Segundo Lígia, a história comoveu os alunos do colégio, que se mobilizaram em um protesto silencioso, realizado ontem. ''A iniciativa foi muito positiva. Está dentro dos princípios da escola, trabalhando com a prevenção. Os alunos não podem estar alheios aos problemas sociais que os envolvem'', disse a psicóloga do colégio Sarah Jacomini.
Experiências relatadas pelos alunos à coordenadoria do colégio comprovam que a violência que invade Londrina está realmente próxima dos estudantes. a coordenadora Esmera Rossi citou como exemplo um assalto sofrido por um aluno há alguns anos obrigou a escola a contratar mais seguranças. ''A partir de então, nossa orientação foi para que os novos contratados acompanhassem os alunos até regiões mais seguras, como medida preventiva.''
A adesão ao protesto atingiu 80% dos alunos do ensino médio, número considerado excelente por Lígia. ''Avisamos o pessoal ontem (anteontem) e quase todo mundo aderiu.'' Entre os alunos que apoiaram a iniciativa, estavam Izabela Monteiro, 17 anos, que viveu situação semelhante a de Lígia. ''Perdi um primo, assassinado há oito anos'', relatou. ''Não adianta saber que Londrina é uma cidade violenta pela TV, isso está muito longe da nossa realidade, é preciso estar mais próximo. O que vale em protestos como este é tocar, é o sentimento que isso traz.''
Segundo o delegado-operacional da 10 Subdivisão Policial de Londrina, Márcio Amaro, o processo de investigação sobre a morte do jornalista tramita na 1 Vara Criminal. Com o Fórum em recesso, não foi possível conhecer a situação do processo.


