Especial para a Folha
O Conselho Brasileiro de Oftalmologia e o Ministério da Educação vão promover exames de vista em crianças de pré-escola para diminuir o número de estudantes com problemas oftalmológicos. A campanha ‘‘Olho no Olho’’, que começa no segundo semestre letivo, quer reverter parte dos problemas congênitos na vista, como estrabismo, que podem ser solucionados até os 8 anos de idade, quando ocorre o amadurecimento do sistema ótico.
O oftalmologista Hamilton Moreira, que coordena a campanha no Paraná, diz que 4% das crianças nascem com algum tipo de problema. ‘‘Quando estão na escola, a criança não enxerga o quadro negro com perfeição e acaba sendo um aluno disperso, com dificuldade de aprendizado’’, comenta o médico. Segundo ele, se os problemas forem identificados antes da fase de alfabetização, o início do período escolar será melhor aproveitado.
Todos os oftalmologistas do Estado e as secretarias municipais da Educação estão sendo convidadas a participar. As crianças vão passar por uma triagem, feita por agentes de saúde, que selecionarão possíveis portadores de doenças. Em seguida os médicos vão realizar exames e, se identificada a doença, as crianças serão encaminhadas para tratamento. A Secretaria da Educação vai repassar R$ 15,00 por óculos receitado.
A partir de 7 meses de idade, quando a criança fixa a cabeça, já é possível fazer um exame na sua vista. Para isso são usados cartões com figuras. A criança que olha para o lado errado, ou não fixa a visão na gravura, deve ter problema. ‘‘Depois dos 2 anos, quando o paciente consegue verbalizar e responder, nós usamos cartelas com bichinhos e objetos’’, explica Moreira.
No ano passado, o Conselho Paranaense de Oftalmologia desenvolveu uma campanha similar nas escolas públicas de Curitiba. Foram examinadas 12,5 mil estudantes de 5 a 9 anos, dos quais 1,3 mil foram encaminhados para exames e 650 apresentaram problemas de visão. Foram doados 453 óculos e o restante das crianças encaminhadas para tratamento.

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