Lúcio Horta
A União Londrinense de Estudantes Secundaristas (Ules) entrou ontem à tarde, no Fórum de Londrina, com uma ação cautelar para que a casa de shows Cinema Café passe a cumprir a lei da meia entrada. Os estudantes alegam que quando há shows no local são obrigados a pagar o mesmo valor dos não-estudantes. ‘‘O último foi da cantora Ivete Sangalo e o ingresso custou R$ 15,00. Não teve meia entrada para estudantes. Então, a ação só pede para que a lei seja cumprida’’, diz Adriano Lozada, presidente da entidade.
Segundo o advogado Paulo Rogério Sanches, que representa a Ules, são duas as leis que garantem a meia entrada aos portadores de identificação estudantil em shows, competições esportivas, cinemas, teatros e eventos: a lei municipal 5.067, de junho de 1992, e a lei estadual 11.182, de outubro de 1995. Ele diz que se o Cinema Café não respeitar a meia entrada nos próximos shows promovidos no local poderá receber multa - arbitrada pelo juiz - e, no caso de mais de uma reincidência, ter as portas fechadas.
A ação de ontem está baseada em outra, de maio do ano passado, quando os estudantes de Cambé (13 km a oeste de Londrina) garantiram na Justiça o direito de pagar meio ingresso em shows do Harmonia Tênis Clube, localizado no Jardim Santa Madalena. Na época, a decisão saiu numa audiência de conciliação. ‘‘Vamos acompanhar qualquer evento que ocorra em Londrina para resolver isso da melhor forma possível. É na juventude que a pessoa toma gosto pela cultura. Impedindo isso, o sujeito pode estar eliminando um futuro consumidor de cultura’’, aponta Lozada.
O advogado Roberto Severo, que representa o Cinema Café, defende que a casa não é promotora, mas apenas cede espaço para realização de eventos. Mesmo os ingressos, ele garante, são vendidos pelos promotores. ‘‘Temos obrigação de dar segurança, condições para que o show ocorra. Somos concessionários de uma estrutura. Além disso, a responsabilidade é do realizador’’, argumentou.

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