Cinco alunos do Ensino Médio do Colégio Sesi, de Londrina, ensinaram 17 internos do Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) a confeccionar uma manta térmica para residências a partir de embalagens tetra pak ontem de manhã. A manta vai ser utilizada em caráter experimental em duas casas em construção pelo projeto Onde Moras, no Jardim Nossa Senhora da Paz (Zona Oeste). O Colégio Sesi faz parte do Serviço Social da Indústria (Sesi), entidade ligada à Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).
A idéia surgiu de uma aula de física, e os alunos desenvolveram o projeto junto com professores de diversas disciplinas. No total, 18 estudantes do primeiro e do segundo anos do Ensino Médio integram o projeto, mas apenas os meninos obtiveram permissão para entrar no Centro de Detenção, deferida por um juiz da Vara da Infância e Juventude.
''Os internos já fizeram o sistema de aquecimento solar de material reciclável, e agora vão incrementar as casas com essa manta. Como as residências não têm forro, a manta ajuda a reter o calor e também a manter o ambiente aquecido nos dias frios'', explicou o engenheiro Maurício Costa, coordenador do Onde Moras. Para Costa, além da melhora na qualidade de vida dos moradores das novas casas, o projeto ainda é benéfico em vários sentidos. ''Os detentos estão produzindo dignidade aqui dentro. E a família vai ter condições mais humanas de habitação, resgatando sua auto-estima e seus valores'', ressaltou, acrescentando que condições de moradia mais dignas se refletem na vontade de trabalhar, de manter a casa limpa e principalmente na disposição da criança de estudar e manter a higiene.
Segundo Costa, o metro quadrado de um forro de PVC custa cerca de R$ 20,00. Já para confeccionar as duas mantas, serão necessárias 1.800 embalagens de leite longa vida, arrecadadas em uma campanha entre os alunos do Sesi e dentro do CDR. O projeto tem ainda o apoio do Rotary e da Transportadora Gralha Azul.
Segundo Mari Clair Moro Nascimento, diretora do colégio, as mantas serão instaladas de formas diferentes, para que se possa medir a eficácia de cada uma e futuramente estender o projeto para novas residências. Além de ajudar outros segmentos da sociedade e preservar o meio ambiente, Mari Clair explicou que o projeto ainda auxilia na promoção da cidadania. ''Acreditamos que é preciso devolver para a sociedade o que os alunos descobrem, através de projetos de pesquisa e extensão. Os estudantes têm que conhecer o meio social em que vivem'', justificou.
O coordenador do projeto, Carlos Henrique Vici, complementou que o projeto está fundamentado nas oito maneiras de mudar o mundo. ''Oferecer uma educação plena é função da escola'', alegou, acrescentando que, futuramente, o Sesi pretende levar esses conhecimentos para ONGs, igrejas e quem mais se interessar.
''Os internos ganham em primeiro lugar o prazer pessoal, percebendo que a sociedade não lhes virou as costas. Também recebem um pecúnio de R$ 50,00 pelo trabalho executado. E, no aspecto processual, eles têm a remissão de um dia de pena a cada três trabalhados. O CDR é beneficiado porque o projeto propicia a ressocialização e uma melhora no comportamento carcerário e interpessoal. E os alunos do colégio têm o aprendizado de uma realidade diferente e principalmente noções de cidadania'', resumiu o diretor do Centro de Detenção, major Raul Leão Vidal, elogiando o projeto.
Vidal contou que, assim como aconteceu com o projeto de confecção de aquecedores solares de material reciclável dentro da instituição, depois de aprender, cada preso precisará repassar os conhecimentos para vinte outros presos.

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