Estudantes distribuem repelente contra mosquito da dengue
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sábado, 07 de novembro de 2015
Antoniele Luciano<br>Reportagem Local 
Álcool, essência de cravo-da-índia e óleo hidratante. Juntos, estes três ingredientes compõem a fórmula de um repelente natural contra o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, produzido por alunos do curso de Agronomia da Universidade Norte do Paraná (Unopar), de Londrina. O produto foi distribuído para a comunidade do entorno do campus no Jardim Piza (zona sul). A entrega de 150 frascos foi feita ontem pela manhã e envolveu cerca de 40 alunos.
Em parceria com o setor de Endemias da Secretaria Municipal de Saúde, a iniciativa surgiu durante as aulas da disciplina de química orgânica. A professora Iara Cintra de Arruda Gatti, responsável pela área, sugeriu que os estudantes elaborassem em laboratório algo prático e que fosse capaz de atender a população. "Todos os semestres temos a proposta de produzir algo e doar para a comunidade. Já fizemos sabão, água sanitária. Esta fórmula do repelente já havia sido amplamente divulgada nas mídias e, como temos o problema da dengue na nossa cidade, resolvemos fazer o repelente na universidade", explicou.
Ao todo, 240 estudantes de Agronomia participaram da produção. De posse dos ingredientes, a turma deixou 20 gramas de cravo-da-índia imersos em um recipiente com um litro de álcool por quatro dias. Depois, a solução foi filtrada e recebeu 100 ml de óleo hidratante corporal. Assim, ficou pronto o repelente, que, por conter ácido eugênico, substância extraída do cravo-da-índia, tem propriedades que afastam insetos.
De casa em casa, os alunos entregaram panfletos e orientaram a comunidade sobre o uso do material, no caso de moradores que afirmaram não apresentar alergia aos componentes. A aposentada Zoraide Siqueira, de 70 anos, aprovou. "Gostei muito, e eu meu marido vamos usar", disse. A vizinha Dalva Maria de Jesus, de 58, assinala que, além do produto, vai intensificar as vistorias em casa para evitar criadouros do mosquito Aedes aegypti. "É muito válida a iniciativa, mas precisamos ficar atentos também", enfatizou.
A estudante Paloma Teixeira, de 19 anos, ficou satisfeita em poder colaborar com os moradores na prevenção da dengue. "Ajudamos a conscientizar a população", definiu. "Também ficamos preocupados sobre a doença", observou o aluno Ricardo Coelho, de 21, ao lembrar que a irmã já teve dengue.
Segundo a coordenadora de Educação e Saúde em Endemias, Lucimara Vasconcellos, mobilizações deste tipo são importantes para ajudar a reduzir o número de casos da doença em Londrina. Neste ano, o município já registrou 2.719 confirmações. Há em andamento ainda outros 628 casos, que aguardam o resultado de exames laboratoriais.
"É uma média de 9 a 11 casos novos por semana. O repelente pode ajudar a evitar isso", pontuou. Ao passar o produto na pele a cada três horas, salienta, o morador pode prevenir picadas de insetos contaminados ou não pelo vírus da dengue. No caso de quem já apresenta os sintomas, o repelente evita que mosquitos piquem pessoas infectadas e se tornem vetores de transmissão da dengue. No entanto, mesmo com o repelente, os cuidados para evitar água parada precisam ser mantidos. "O ovo do Aedes vive 450 dias sem contato com a água. Temos que ter atenção para evitar isso", reforçou Lucimara.


