Voltar para casa num ônibus lotado após um dia cansativo é rotina para os trabalhadores londrinenses. O calvário é ainda maior quando a linha passa perto de alguma escola. Os usuários do transporte coletivos são obrigados a dividir o espaço com os estudantes e muitos reclamam de cenas constantes de desrespeito. A situação levou uma empresa até a colocar veículos extras para atender exclusivamente aos jovens de uma instituição de ensino da Área Central.
''O ônibus já é cheio. Os estudantes em turma fazem muita bagunça e não respeitam ninguém'', afirmou o açougueiro Altemir Soares da Paixão, 28 anos. De acordo com usuários do sistema, a baderna é constante. Os jovens colocam os pés sobre os bancos, não dão lugar para os idosos e ainda ''mexem'' com quem passa pela rua. ''Um dia vi um motoqueiro perseguir o ônibus porque foi xingado por um aluno'', relatou um passageiro.
Para minimizar as confusões, a empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) colocou veículos exclusivos nos horários de saída das aulas do Colégio Vicente Rijo, na Área Central. Apesar de estarem sempre lotados, muitos estudantes ainda insistem em tomar os ônibus comuns, utilizados pelos outros usuários. ''Não posso impedir que eles tomem os outros ônibus. A medida serviu para minimizar o problema'', avaliou Daniel Martins, chefe de tráfego da TCGL.
Os próprios estudantes concordam que a baderna é excessiva. ''Tem bastante bagunça mesmo. Muitos alunos não respeitam e os ônibus são poucos'', opinou o estudante Edward Souza Franco, 15. Para ele, a solução depende apenas dos alunos, que ''deveriam respeitar mais.'' Os irmãos Adenilson e Ana Maria Arantes Siqueira, de 15 e 11 anos, respectivamente, disseram que muitos alunos ignoram os ônibus exclusivos. ''Pelo menos, eu procuro dar lugar para os idosos sentarem'', garantiu Adenilson Siqueira.
A presença de agentes de trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) no horário da saída nos períodos da manhã e tarde ajuda a diminuir a confusão. A ordem também é garantida pela Patrulha Escolar, que atende dez escolas da cidade em esquema de rodízio. ''Até o barulho é excessivo. Um idoso não consegue ficar dentro do ônibus com muitos estudantes'', constatou o cabo Rogel Silvério, da Polícia Militar (PM), integrante da equipe de 36 policiais da Patrulha Escolar. Ele revelou que os PMs são acionados pelas escolas através do telefone celular em casos de emergência.
Além dos passageiros, motoristas e cobradores são testemunhas oculares de cenas de desrespeito. ''Os estudantes mexem com que está na rua e já chegaram até a derrubar passageiros'', contou o motorista Sidnei do Nascimento, 32. Para a professora Regina Linhares, 51, o desrespeito começa na hora de subir no ônibus. ''A gente tenta entrar, mas os estudantes não respeitam e acabamos quase ficando de fora. Deveriam ter mais educação, mais respeito'', resumiu.

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