Os acadêmicos do 5º ano do curso de Odontologia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) entraram ontem na Justiça para garantir a formatura. A cerimônia oficial de colação de grau dos formandos estava marcada para amanhã, entretanto a paralisação das atividades em decorrência da greve causou o cancelamento de toda programação da universidade.

O acadêmico Alexandre Webber, que faz parte dessa turma, diz que na última sexta-feira foi realizada, de forma simbólica, em Cascavel, a formatura. Ele explica que a turma decidiu ingressar na Justiça para garantir o direito por já terem concluído a carga horária de todas as disciplinas, inclusive as práticas. ''Fizemos nossa parte, que era concluir os estudos. Não deixamos nada para trás, nem os atendimentos. Estamos apenas lutando por nossos direitos'', ressalta.

Webber explica que o atraso na programação da universidade poderá prejudicar os formandos que estarão impossibilitados de atuar profissionalmente. ''O mais difícil era conseguir o reconhecimento do curso pelo Conselho Estadual de Educação (CEE) e isso conseguimos. Mas não tem problema, começamos com batalhas e terminamos da mesma forma'', afirma.

O acadêmico se refere às dificuldades encontradas para iniciar as aulas, após terem sido aprovados no concurso vestibular. O impasse aconteceu porque a Unioeste foi reconhecida em dezembro de 1994 e ofertou no vestibular seguinte, realizado em março de 1995, os cursos de Odontologia, Medicina e Engenharia Civil. O CEE alegou que os cursos não estavam autorizados e entrou na Justiça impedindo a validação do vestibular.

Em aproximadamente dois anos, os alunos travaram uma batalha judicial com o CEE. Em fevereiro de 1996, a Justiça Federal validou os cursos, mas não o vestibular. Apenas, no dia 14 de novembro, os estudantes conseguiram validar o vestibular. As aulas com uma nova turma, formada pelos primeiros aprovados e pelos recém-aprovados, começaram em fevereiro de 1997. ''Montamos acampamento em frente ao campus, fechamos a BR-277, tivemos aulas no calçadão. Enfim, sempre lutamos'', frisa.

O pró-reitor de Graduação da Unioeste, Leônidas Lopes de Camargo, adiantou que caso os acadêmicos consigam uma liminar garantindo a colação de grau, a universidade irá recorrer. Ele completa que ainda não ficou comprovado que os alunos atingiram toda a carga horária estipulada no curso.

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