Estudantes de escolas rurais enfrentam obstáculos para praticar esportes
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domingo, 06 de maio de 2007
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
Cerca de 180 alunos de nove escolas municipais da zona rural de Londrina reuniram-se no último sábado para mais uma rodada de atividades esportivas na escola municipal Padre Anchieta, patrimônio Heimtal, zona norte da cidade. Desta vez, os esportes escolhidos foram o futsal feminino e o xadrez. As atividades entre as escolas da zona rural começaram há seis anos, e são realizadas a cada dois meses. Ainda este ano, estão programados torneios de atletismo, handebol e futebol de campo.
De acordo com a professora Dilza Maria Razente, coordenadora do evento, o festival esportivo é importante para a integração dos alunos das escolas rurais, além do incentivo à prática de esportes. ''Tivemos estudantes que se destacaram e foram aproveitados pelas equipes de atletismo e futsal de Londrina'', comemora a professora.
Entre diretores e professores das escolas rurais, no entanto, sobram reclamações sobre a dificuldade da prática esportiva. A escola Padre Anchieta é exceção: é a única com quadra coberta, o que proporciona maior aproveitamento nos finais de semana. ''Todo sábado têm atividades para os alunos e, aos domingos, a quadra fica aberta para a comunidade'', relata o diretor Elias Vilas Boas.
No patrimônio Regina, região sul da cidade, o espaço destinado para práticas esportivas ''nem pode ser considerado uma quadra'', segundo a professora Ivone Fernandes Oliveira. ''É muito pequena, não tem como trabalhar. A gente vê a dificuldade das meninas aqui no futsal. Elas jogam bem, mas acabam perdendo porque têm dificuldade de adaptação no espaço maior de uma quadra normal''.
Para a diretora da escola do distrito de Maravilha, Flora Zucoli, a falta de lugar adequado para prática de esportes acaba se tornando uma responsabilidade a mais para os professores. ''Ele é obrigado a tirar a criança da escola para desenvolver as atividades, por não ter espaço. Com isso, acaba correndo risco de ser responsabilizado caso aconteça algo com os alunos''.
Maria Carolina Euzébio, de 13 anos, estava representando a escola Luiz Marques Castelo, do Patrimônio Espírito Santo, no torneio de futsal feminino, e não poupou críticas à quadra da escola. ''É péssima. A gente cai direto, se machuca. O muro que cerca a quadra é muito pequeno, então a bola sempre vai no vizinho, que fica bravo. É muito raro a gente jogar. Como a quadra não é coberta, se chove não tem como jogar ou se faz muito sol a gente não aguenta'', conta a estudante.
Em Guaravera, a situação é ainda pior, já que as aulas práticas são feitas na rua por falta de quadra. Mas o professor Eduardo Abrahão encontrou uma alternativa para driblar o problema: investiu no xadrez, aproveitando a estrutura das salas de aula. ''Conseguimos fazer com que o xadrez, que é um esporte elitizado, fosse popularizado na zona rural. É bom porque estimula o intelecto das crianças e reverte para outras disciplinas como a matemática, já que acelera o raciocínio'', afirma.
A julgar pelos resultados do torneio de xadrez realizado no fim de semana, a iniciativa deu resultado. Fábio Takashi, de 14 anos, venceu as três partidas que disputou, e chegou a eliminar um dos adversários em 30 segundos. ''Jogo desde os dez anos, incentivado pela minha família. Depois passei a jogar na escola também. Tem bastante gente se interessando pelo esporte'', garante o jogador.


