A experiência do trote sofrido nos primeiros dias após ingresso na Universidade Estadual de Londrina (UEL) levou uma turma do curso de Educação Física a pôr fim nas brincadeiras abusivas. Os 26 calouros da turma da manhã aproveitaram a última aula de ontem para debater o problema e decidiram aderir ao trote cultural também para o curso de Educação Física. ‘‘O ano que vem vamos ser veteranos e queremos mudar a forma de receber os calouros. Nós passamos pelo trote tradicional e achamos humilhante. Não queremos para os outros o que passamos’’, explicou ontem a caloura Elaine Tomazoni, de 18 anos.
A decisão foi aceita por unanimidade pela turma. Na semana passada, eles foram obrigados a fazer pedágio durante todo o dia. Os veteranos recolheram deles sapatos, bolsas e documentos e só devolveram os pertences no final do pedágio, mediante a entrega do dinheiro arrecadado. ‘‘Fomos ameaçados. Ou a gente pagava R$ 35,00 para o churrasco, ou fazia o pedágio ou aguentava um trote pior’’, comentou Adriano da Silva, de 21 anos.
Depois de pedir dinheiro o dia todo sem se alimentar, Adriano ficou com os pés cheios de bolhas. À noite teve de ser atendido no posto de saúde porque passou mal. Os estudantes não são contra o pedágio desde que ele tenha uma finalidade prática e de fundo social. ‘‘O pedágio pode ser divertido e construtivo desde que o dinheiro seja revertido para alguma coisa útil como uma instituição de ajuda às crianças ou idosos. E os calouros não precisam ser humilhados’’, complementa Leonardo Salomão Basso, 18 anos.
Mas o que mais assusta e leva os calouros a se submeterem às determinações mais absurdas dos trotes, diz Gisele Soares Silva, de 19 anos, é o medo de ficar ‘‘marcado’’. Ela explica que os veteranos advertem os calouros que se negam a participar do trote de que serão ‘‘isolados’’ durante todo o curso. ‘‘Passar na universidade é uma alegria, mas gera também uma insegurança porque a maioria vai encarar um novo tipo de vida e um grupo completamente novo’’, esclarece. Na turma dela, apenas sete são de Londrina.
Na reunião de ontem, os calouros decidiram se organizar e programar uma série de atividades culturais e de interesse social para as próximas turmas de calouros. Pretendem ainda fazer um trabalho de convencimento junto às outras turmas do curso para que o Curso de Educação Física da UEL adote definitivamente o trote cultural. A proposta tem o respaldo da reitoria da UEL que, pelo ato executivo 1.014/89 proibe o trote abusivo nas dependências da universidade.

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