Estudantes de Cambé garantem direito de pagar meia entrada
Estudantes de Cambé garantem
direito de pagar meia entrada
Lúcio Horta
Dorico da Silva
Oswaldo Ramos, presidente de clube, diz que o valor do ingresso pode subirOs estudantes de Cambé garantiram na Justiça o direito de pagar meia entrada no Harmonia Tênis Clube, localizado no Jardim Santa Helena. A decisão saiu no último dia 6 de maio, em audiência de conciliação feita pela juiza Márcia Guimarães Marques Luz, da Vara Cível de Cambé. Pelo acordo, o Harmonia a partir de agora passará a cumprir a lei estadual 11.182, de outubro de 1995, que dá o desconto de 50% aos estudantes portadores da identificação estudantil em shows, competições esportivas, cinemas, teatros e eventos.
Márcio Sitta, presidente da União Cambeense dos Estudantes Secundaristas (Uces) e diretor da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes), conta que o Harmonia Tênis Clube recusava-se a cumprir a lei estadual desde que ela foi publicada. Há dois anos e meio procuramos a diretoria para explicar a lei e eles disseram para que a gente procurasse a Justiça. Foi o que fizemos, lembra. A primeira vitória dos estudantes ocorreu em maio de 97, quando a Justiça concedeu aos estudantes uma liminar exigindo o cumprimento da lei. Houve recurso, mas a decisão inicial foi confirmada com a audiência de conciliação.
Dorico da Silva
É leiEstudantes foram à Justiça e asseguraram direito à meia entrada em uma audiência de conciliaçãoAvaliamos que o resultado foi muito bom para os estudantes. A lei estava do nosso lado e a juíza entendeu a nossa posição. Lei é lei, comemorou Sitta. E que isso sirva de exemplo para o restante do Paraná. Segundo ele, poucas cidades cumprem a lei.
A gente tem que defender nossos direitos. Há muitos estudantes sem condições de participar de eventos por causa das altas taxas. Por isso esse resultado foi importante, diz Anderson José de Souza, 17 anos.
Embora tenha assinado o termo de conciliação, a direção do Harmonia discorda da lei e acredita que pode haver queda da qualidade dos shows no local ou o aumento no valor dos ingressos. Vamos ter dificuldades em fazer promoções porque as bandas não dão descontos, afirma o presidente do clube, Oswaldo Ramos. Ele diz que no último sábado, por exemplo, quando houve promoção, a queda na arrecadação da casa foi de aproximadamente 50%.
Mesmo satisfeito com o resultado da audiência no Fórum de Cambé, Márcio Sitta reclama que no último sábado a lei foi parcialmente descumprida pelo clube em relação aos sócios-estudantes. Na ocasião, o ingresso custou R$ 10,00 para público geral, R$ 5,00 para estudantes ou sócios e R$ 3,00 para sócios-estudantes. Segundo Sitta, o último valor deveria ser de R$ 2,50, ou seja, 50% do valor que eles pagariam. Foi apenas uma dificuldade de troco, justifica-se Oswaldo Ramos.
Em Londrina, segundo avaliação do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UEL, a situação em relação a lei estadual 11.182 é um pouco menos complicada do que na vizinha Cambé. Marcelo Rocha, coordenador de comunicação da entidade, diz que os estudantes não têm encontrado resistência dos comerciantes ou empresários da Cidade na concessão do desconto de 50% quando apresentam a identificação estudantil.
A única dificuldade, diz Rocha, tem ocorrido nas sessões da tarde do Cine Catuaí, onde são cobrados R$ 3,00 tanto para estudantes quanto para não-estudantes. A gente já até tentou contato com a direção do cinema, mas não obtivemos retorno, diz.
Ruth Moraes, gerente responsável pelas salas do Catuaí, diz que a empresa está procurando uma solução legal para resolver o problema. A gente fez isso para que não-estudantes também pudessem pagar mais barato. Não queremos prejudicar ninguém.





