Luiz Carlos Dias Junior
Especial para a Folha
Por pouco não acaba em tragédia a viagem de estudantes da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), de Guarapuava e Irati, para Brasília. O grupo participou de uma manifestação no Distrito Federal contra os cortes nas bolsas de estudos para o Programa Especial de Treinamento (PET), divulgados pela Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal em Nível Superior (Capes) do governo federal.
Durante o retorno, na madrugada de ontem, o ônibus dos estudantes foi abordado em Frutal (MG) por cinco homens que obrigaram o motorista a parar na pista. Ao estacionar o veículo, o funcionário da empresa Princesa dos Campos, Nivaldo Stédile, acendeu as luzes e gritou para os 42 estudantes de Guarapuava e Irati e para o professor que estava acompanhando o grupo para que não resistissem, mesmo assim, o motorista foi alvejado por um dos assaltantes. Eles ainda dispararam mais cinco vezes, mas não acertaram nenhum ocupante do ônibus e fugiram após constarar que o veículo era de estudantes e não turistas, como pensavam. Os estudantes tiveram alguns pertences roubados.
Segundo o pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da Unicentro, Aldo Nelson Bona, o motorista do ônibus está internado fora de perigo em um hospital de São José do Rio Preto (SP). A chegada do grupo a Guarapuava estava prevista para às 22 horas de ontem.
Os universitários protestaram quinta-feira em Brasília contra os cortes da Capes, que oferece fomento à pesquisa e também bolsas de doutorado para professores. Para este ano, o objetivo do governo era diminuir em até 50% as bolsas, além de outros cortes em taxas e apoios a mestrados.
A mobilização nacional em Brasília foi anteontem. Do Paraná, participaram comitivas de Maringá, Ponta Grossa e Guarapuava. O presidente da Capes, Abílio Baeta Neves, informou que estavam suspensas as medidas anunciadas e que na segunda-feira a coordenadoria apresentará novas propostas.

mockup