Estudantes da UFPR em greve param rodovia por quase 2 horas
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terça-feira, 09 de junho de 1998
Eliane Eme Sato 
Estudantes, professores e funcionários da Universidade Federal do Paraná (UFPR) fecharam ontem a BR-116, no trecho que fica dentro do perímetro urbano de Curitiba, entre os viadutos da BR-277 e da Avenida da Torres, em protesto à situação da educação no País. Os manifestantes queimaram pneus para bloquear os dois lados da rodovia, que liga São Paulo, Curitiba e Porto Alegre e é a mais movimentada do Paraná. Passam por ali, em dias normais, cerca de 1,6 mil veículos por hora, segundo a Polícia Rodoviária Federal. O protesto aconteceu entre 11h e 12h50 e causou irritação nos motoristas. Alguns deles revidaram promovendo um buzinaço. Mas a fila de veículos foi de apenas dois quilômetros, segundo a polícia.
O protesto pretendeu chamar a atenção da população quanto aos problemas no setor da educação. Como esta rodovia agora, a educação está parada, não temos rumo a seguir, disse o coordenador geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFPR, Gustavo Lacerda.
Os estudantes, disse, também protestam contra a posição do governo federal quanto à greve dos professores e funcionários administrativos da UFPR.O governo está intransigente demais, afirma Lacerda. Além dos estudantes, integrantes da Associação dos Professores da UFPR e do Sindicato dos Trabalhadores em Ensino Superior de 3º Grau (Sinditest) entregaram aos motoristas panfletos sobre a situação nas universidades federais.
A greve nas universidades vai continuar se o Ministério da Educação (MEC) não aceitar a proposta que seria apresentada ontem à tarde pelo comando nacional de greve, segundo afirmou o assessor de imprensa da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes), Lafaiete Neves. A Andes aceitou a proposta do MEC de aumento diferenciado, mas exige acréscimo de 33% de gastos na folha anual de pagamento e não 13%, como quer o governo federal.
Os gastos com o reajuste salarial dos docentes aumentariam de R$ 320 milhões para R$ 791 milhões. O aumento seria de 22% a 70% e beneficiaria também os aposentados. Se o governo não aceitar, a greve continua, diz Neves. Segundo a presidente do Sinditest, Roseli Isidora, o Hospital de Clínicas (HC) poderá parar se o governo não negociar com a categoria. Vamos ter de radicalizar o movimento, disse. Estão parados 70% dos 3,6 mil funcionários. Cerca de 1,7 mil professores na ativa da UFPR estão em greve desde o dia 15 de abril. A adesão é de 90% porque o comando de greve permitiu que os dois últimos anos do curso de Medicina atendessem os pacientes do HC.


