Curitiba

Marcelo AlmeidaEstudantes fizeram passeata entre a Praça Santos Andrade e o Centro Cívico para protestar contra reforma do 2º grauEstudantes secundaristas de Curitiba afirmam que o Programa de Expansão e Melhoria do Ensino Médio (Proem) descaracteriza o ensino profissional médio. Ontem, eles organizaram uma passeata entre a Praça Santos Andrade (Centro) e o Edifício Castelo Branco (Centro Cívico) - onde estava ocorrendo uma discussão sobre o currículo do segundo grau -, para protestar contra as reformas.
De acordo com a chefe do departamento de segundo grau da Secretaria de Estado da Educação, professora Eliane Rocha Marques, está havendo um equívoco muito grande por parte dos estudantes. ‘‘Pelo decreto 2.208, sobre educação profissional, o ensino médio deve ter um currículo próprio diferenciado do de educação profissionalizante’’, explica.
Pela nova Lei de Diretrizes e Bases, segundo Eliane, o ensino profissionalizante deve ser separado ou paralelo ao ensino médio. ‘‘O Estado optou pela forma paralela, por uma questão de espaço físico, não podemos ter as mesmas turmas ocupando as salas pela manhã e à tarde. Outro problema é com relação aos estudantes que trabalham durante o dia e estudam à noite e não poderiam frequentar dois turnos de aulas.’’
Para a professora, o novo ensino médio pretende a valorização do ser humano, preparando os estudantes para o exercício da cidadania e para o trabalho. Ela esclareceu que 75% do currículo terá uma base nacional comum, com disciplinas em três áreas: sociedade e cultura, ciência e tecnologia, e códigos e linguagem. Os demais 25% podem ser diversificados, dependendo dos interesses da escola, inclusive com disciplinas técnicas.
O currículo do próximo ano já vai oferecer no ensino pós-médio (profissionalizante) quatro cursos: gestão de empresa, publicidade e propaganda, informática e técnico em vendas. A elaboração do projeto desses cursos ainda está sendo feita pelo Ministério da Educação.
Na análise do coordenador geral da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Curitiba, Eduardo Jubin, os novos cursos profissionalizantes pretendem transformar o trabalhador em ‘‘apertadores de botões’’.
O diretor da APP-Sindicato, professor José Lemos, concorda com os estudantes. Para ele, o governo está tentando uma ‘‘nova forma de elitizar o ensino profissionalizante’’. ‘‘O governo deveria melhorar os cursos técnicos que já existem’’, sugere.

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