Estudantes criam filtro para resíduo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de maio de 2015
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina O tratamento do chorume, resíduo proveniente da decomposição do lixo orgânico, é um problema para Londrina. Mas há tecnologias que reduzem o problema. E o assunto é alvo de pesquisas de empresas e até de estudantes.
Alunos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), por exemplo, estão desenvolvendo o BioFiTCh, um filtro biológico montado a partir de resíduos de coco e de poda de árvores, que utiliza camadas de areia, brita e argila para tratamento líquido tóxico.
O objetivo é reduzir o uso de agentes químicos utilizados atualmente no tratamento e o acúmulo de materiais poluentes em aterros sanitários, promovendo o equilíbrio ambiental.
O filtro vai possibilitar a transformação do chorume em resíduo com baixa toxicidade, agregando valor comercial e ambiental aos resíduos de coco e poda de árvores, possibilitando retorno para a sociedade. A coordenadora do curso de Biotecnologia do Senai, Ana Elisa Vercelheze, explica que o grupo de estudantes foi selecionado pelo Senai para participar do projeto de acordo com as notas, participação em sala de aula e características como empreendedorismo e apresentação de soluções inovadoras.
A equipe é composta por Cecilia Yamasaki e Eric Campos, alunos do curso de Biotecnologia; Eduardo Furlaneto, de Logística; e José Mojica Matos, de Segurança do Trabalho. Os estudantes são orientados pelo professor Thiago Andrade Marques.
Segundo Cecilia, o tratamento tradicional utiliza muitos ácidos e bases para liberar o chorume sem tantos contaminantes. "Esse filtro é para reduzir carga de agentes químicos para liberar esse chorume", revelou.
Segundo Campos, os testes utilizam garrafas PET como suporte. "Colocamos uma camada de argila, depois brita, camadas de fibras de coco e podas de galhos de árvores e, por último, a de areia. As podas galhos de árvore e as fibras de coco são trituradas em diferentes tamanhos para que a retenção das partículas fosse realizada da maior para a menor", explicou.
O professor Marques explica que, pela escala realizada, dois litros de chorume podem ser filtrados em duas horas. "É um processo que não é instantâneo", afirmou. O grupo pretende fazer testes utilizando suportes maiores, como galões de água de 20 litros, e comparar os resultados. Sobre o destino final das fibras e restos de poda contaminados, ele ressalta que as fibras e os restos de podas utilizados na filtragem devem ser incinerados adequadamente no final do processo, devido à presença de metais pesados e amônia.
Campos afirmou que ainda está definindo a proporção dos materiais, submetendo esse filtro a testes. A escolha da fibra de coco e da poda de árvores aconteceu porque são dois resíduos urbanos que chegam diariamente nos aterros sanitários e o filtro seria uma forma de reaproveitá-los.
Durante a entrevista, o grupo apresentou uma amostra de chorume antes da filtragem, com um cheiro característico bastante forte, e uma amostra do líquido que foi submetido ao processo. Segundo Cecilia, a diferença entre as duas amostras é perceptível. "O cheiro da amostra que foi submetida à filtragem é de galhos de árvore e não possui mais o odor forte, característico de chorume", afirmou. Já a cor do líquido resultante da filtragem ainda está bastante variável, dependendo do chorume coletado. O grupo afirmou que essa filtragem biológica seria apenas uma das etapas do tratamento do chorume.


