Estudantes criam e lançam produtos
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de dezembro de 1997
Marccio W. Varella 
Maringá
Patentes de produtos e serviços desenvolvidos por alunos do 4º ano do curso de administração da Universidade Estadual de Maringá (UEM) já estão sendo registradas no Ministério da Indústria e do Comércio (MIC) e alguns deles já foram lançados no mercado. Os trabalhos, que valeu nota para as disciplinas de Finanças e de Marketing, foram apresentados no campus da UEM.
O professor de Finanças José Previdelli, um dos idealizadores deste trabalho que a UEM realiza há três anos, explica que o objetivo é estimular o espírito empreendedor do aluno. Temos que parar de formar empregados. Temos que formar gente de coragem, empreendedores.
Dos 30 cursos de administração que funcionam no Paraná, o da UEM é o único que implantou este tipo de trabalho. Os gastos com os projetos ficaram por conta dos alunos. O professor Previdelli apenas orientou a parte financeira de cada projeto. É bom para sentirem a realidade do mercado. A idéia original deste trabalho com universitários nasceu na França há mais de 20 anos.
Videolocadora móvel
Já está funcionando há quase um mês em Maringá e com processo de registro encaminhado ao MIC. A idéia foi da aluna Sueli Regina Dias, 32 anos. Vou ter o retorno do capital em um ano e meio, disse ela, que trabalha há seis anos no setor. O furgão leva a fita pedida pelo telefone a qualquer bairro em questão de minutos, e pega a fita de volta. Cobra R$ 3,00 por fita, que pode ficar em poder do locatário por 48 horas. O furgão carrega 500 fitas de todos os gêneros. São fitas selecionadas. É um serviço inédito no País, explicou ela.
Marcos NegriniSmart clock
Ou Relógio Esperto. É um despertador que não tem similar no mercado brasileiro. Foi inventado pelos alunos Nereu Ferraz, 27 anos, Stéfano Chiari, 26, Nádia Suarez Borgueti, 21, e Abel D. Mavungo, 28, angolano de nascimento que ganhou bolsa de estudos para a UEM. A idéia foi colocada no papel e detalhada por dois engenheiros, um civil e outro elétrico. Nereu montou o despertador em cima de um carrinho bate-e-volta. Quando toca a sirene, o carrinho sai correndo desesperado pela casa, como explica Nereu, batendo nas paredes sem parar até ser desligado.
Seus inventores pretendem lançá-lo no mercado em pouco tempo. Para o consumidor, o custo final será em torno de R$ 15,00. Eles fizeram uma pesquisa de opinião antes do invento e descobriram que a grande maioria dos jovens tem dificuldade para acordar cedo. Com o nosso despertador, eles poderão acordar de bom humor.
Marcos NegriniTijolo à vista
Cidinha Pontes, 25, Edilane Amorim, 21, Sandra Medeiros, 22, Andréia Foltran, 22, e Fabíola de Oliveira, 22, também tiveram uma idéia original: fabricar tijolos com desenhos especiais para decoração de ambientes. Elas fizeram parceria com uma olaria de Sarandi (7 km a leste de Maringá). Os desenhos foram idealizados a partir de azulejos que o grupo viu numa parede de lanchonete de Maringá.
Para o consumidor final, o custo do milheiro do tijolo CESA (iniciais das inventoras) será de R$ 140,00. É um investimento caro e nós pretendemos fazê-lo através de parceria com uma olaria. Muitas já se interessaram pelo nosso trabalho, comemora Andréa.
Vanilla milk
Brevemente, os supermercados terão em suas prateleiras o leite pasteurizado sabor baunilha. Será o primeiro do tipo no Estado. Os alunos Marlon José Batista, 22, Giovano Tozzo, 23, Elisângela Cassinelli, 22, e Mariana Pille Vivan, 22, queriam mostrar ao público um leite com sabor inédito.
Para isso, foram por conta própria ao laboratório da empresa Wittmarsun, em Palmeira, na região de Ponta Grossa. Lá, fizeram diversas experiências com o sabor baunilha até chegar ao ponto certo, suave, que desce gostoso, como explicou Mariana.
Não é bebida láctea, que é mais grossa. É leite pasteurizado, esterilizado e aromatizado, que também contém açúcar, fosfato de sódio e citrato de sódio, explica. O custo final para o consumidor será de R$ 0,59 a unidade.
Marcos NegriniProtetor solar
A planta Aloe vera, mais conhecida como babosa, é o principal ingrediente do protetor solar facial criado pelas nisseis Patrícia Key Ioshimura, 23, Suemy Matsumoto, 24, Cristiane Koyama, 21, e Míriam Yasunaka, 25. Elas desenvolveram o Skin Base - FPS 20 com base em pesquisa de substâncias e com a única preocupação de adequar o protetor somente para o rosto.
A fórmula foi enviada para indústria de cosméticos de Curitiba, que fez parceria com as alunas. Elas também pretendem industrializar sua criação. É um protetor facial que não existe no mercado. É adstringente, analgésico e anestésico.


