Estudantes continuam
protestos pelo passe livre
Líderes de entidades estudantis realizaram ontem, nos tubos de Ligeirinho que ficam na Rua Marechal Floriano esquina com a Avenida Sete de Setembro, em Curitiba, um ato em protesto ao preço da passagem de ônibus na cidade. Com mangueiras, baldes de água e sabão e vassouras, eles lavaram os vidros das estações-tubo. ‘‘Queremos remover toda a sujeira que existe e exigir passe livre para todos os estudantes’’, afirmou Káthia Dudyk, diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE).
O protesto será engrossado hoje, com a passeata dos estudantes da Praça Santos Andrade até a Prefeitura de Curitiba. ‘‘Não admitiremos qualquer outro tipo de negociação que não seja a implantação do passe livre para os estudantes’’, declarou Maiko Alexandre Nunes Vieira, presidente da União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas (Umesc).
O passe livre já foi implantado em cidades como Cascavel, Maringá, Foz do Iguaçu e Pato Branco. Em Curitiba, a Companhia de Urbanização (Urbs) já implantou o meio-passe para estudantes carentes. Os estudantes ainda pedem a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de Curitiba para investigar a Urbs. Caso as reivindicações dos estudantes não sejam antendidas na passeata de hoje, eles ameaçam continuar as invasões em terminais e estações-tubo.
Interesse eleitoreiro? O vice-prefeito de Curitiba, Marcos Isfer, conta que havia sido marcada, para ontem, uma reuinão entre ele e representantes da Umesc. ‘‘Fiquei uma hora e meia esperando e ninguém apareceu. Isso me faz pensar que o interesse deles não é pelo diálogo com a prefeitura, e sim pela bagunça’’, disse.
Ele calcula que, se o protesto fosse atendido e 60% dos 450 mil estudantes de Curitiba passassem a usar o passe livre, a tarifa de ônibus ficaria 30% mais cara para os trabalhadores. Para Isfer, o envolvimento de alguns políticos nas manifestações sugere que existe um interesse eleitoral por trás do protesto.(L.P. e M.M.)