Estudantes cobram reforma de escola
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segunda-feira, 31 de outubro de 2005
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
No meio da sala de aula tinha um cogumelo, situação e lugar esquisitos para o aparecimento do fungo. Porém, este não é o único problema enfrentado pelos mais de 1.000 alunos da Escola Estadual José de Anchieta, na Rua Riachuelo (Área Central), que ontem, durante um dia de protesto, paralisaram as atividades escolares nos três períodos de funcionamento do estabelecimento de ensino.
A escola construída há mais de 54 anos, além da colonização por fungos, apresenta várias salas com infiltrações, falta de extintor de incêndio, portas e vidraças quebradas. '' Até uma cobra coral a gente já encontrou numa pilha de carteiras quebradas'', contou o presidente do Grêmio Estudantil Anhanguera, Elias Timóteo, 18 anos, aluno da primeira etapa do Ensino Médio Supletivo.
O estudante acrescentou que o réptil acabou virando material de exposição no laboratório de Biologia da escola, que está interditado por causa dos riscos que oferece aos alunos. O teto ameaça desabar.
''Não é só isso. Recentemente, um ventilador explodiu. Os alunos correram bastante perigo porque uma das três portas de saída da escola está interditada. Também tivemos uma apagão em que os estudantes tiveram dificuldade para deixar as salas de aula porque a escola tem poucas lâmpadas de sinalização de emergência'', apontou Timóteo, estendendo os problemas para os sanitários com vazamentos e louças quebradas.
O líder estudantil afirmou que os alunos dariam um prazo de cinco dias para o governo estadual apresentar soluções para os problemas da escola. ''Se não tivermos nenhuma proposta do governo dentro deste prazo, no ano que vem impediremos a entrada dos estudantes nas salas de aula'', ressaltou Timóteo.
Além da manifestação na escola, um grupo de 16 alunos fez uma caminhada até o Núcleo Regional de Educação (NRE), na Avenida Maringá, onde se reuniu com o chefe regional do NRE, Rony dos Santos Alves. O chefe regional disse que pretende encaminhar as renvindicações dos estudantes ao governador Roberto Requião, que deverá estar na região na próxima quinta-feira.
Alves reconheceu a necessidade de obras urgentes, sendo que a direção da escola já protocolou pedido em 2003, solicitando uma reforma geral no estabelecimento de ensino, incluindo a cobertura da quadra de esportes, e nos sanitários.
''Para o ano que vem, o governo realizará a cobertura do mais de 400 quadras em escolas do Estado. Em Londrina, a do Anchieta será uma das prigilegiadas com as obras, que na cidade beneficiarão pelo menos 33 escolas. Ainda não recebemos da Fundepar (Instituto de Desenvolvimento Educacional do Paraná) a relação desses estabelecimentos'', afirmou Alves.
O chefe do NRE anunciou que sexta-feira passada foi assinada a ordem de serviço, encaminhada ontem para o Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção (Decon), autorizando a elevação do muro da Escola José de Anchieta, obra orçada em cerca de R$ 55 mil.
''Porém, sabemos de fato que a reforma dos banheiros e da cobertura da escola não pode esperar'', enfatizou Alves, apontando que o governo estadual já gastou R$ 7 bilhões em reformas e na construção de novas unidades escolares no Estado, sendo cinco unidades beneficiadas na região, incluindo o Colégio Benjamin Constant.


